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Avançam pesquisas sobre próteses criadas de células-tronco

16/08/2014 Por Redação

Experiências são feitas por pesquisadores brasileiros com material retirado do siso - Shutterstock

Graças a pesquisas com células-tronco, em um futuro cada vez menos distante, além da primeira dentição com dentes de leite e da segunda com os permanentes, poderemos ter ainda uma terceira com dentes de verdade - o que significaria dar adeus à dentadura. Em diferentes partes do mundo, utilizando técnicas diversas, estão sendo desenvolvidas próteses dentárias a partir de células-tronco.

Na China, pesquisadores do Guangzhou Institute of Biomedicine and Health usaram um material inusitado como ponto de partida: urina humana. Na King’s College, de Londres, já foram combinadas células-tronco de embrião de rato e células epiteliais de gengiva humana. No Japão, cientistas da Universidade de Tóquio extraíram células-tronco dos molares de ratos para criar novos dentes para os animais. E o Brasil não fica para trás: na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os professores Silvio Eduardo Duailibi e Monica Talarico Duailibi utilizam material biológico retirado de dentes sisos.

Nenhum chegou ainda à fase de ensaios clínicos, com testes em humanos, mas a pesquisa dos professores da Unifesp está próxima disso: com resultados positivos em todas as etapas anteriores, estão no último estágio - o próximo passo é o teste. No entanto, antes que isso aconteça, é preciso se certificar de que o método é seguro e eficaz, para receber dos órgãos reguladores internacionais a autorização para as experiências em humanos.

O envolvimento de Monica com o tema teve início 12 anos atrás, quando participou, na Universidade de Harvard, de um estudo para criação de um substituto biológico do dente, conduzido pelo professor americano Joseph Vacanti, pioneiro na área. Até chegar ao ponto em que está hoje, a pesquisa dos Duailibi passou por cinco etapas. O primeiro passo foi a implantação de células de dentes de porcos no omentum (película que envolve as vísceras) de ratos sem imunidade. A escolha dos ratinhos ocorreu para eliminar a possibilidade de rejeição, um dos principais problemas em transplantes de qualquer tipo. Já o omentum foi escolhido por ser altamente vascularizado, o que torna mais fácil o nascimento do dente.

Com os resultados positivos, passou-se à segunda etapa, com os mesmos procedimentos, mas desta vez implantando células dos próprios ratos. Após demonstrar que era possível fazer com que os dentes nascessem no abdômen dos roedores, os cientistas foram além e fizeram com que o mesmo acontecesse no lugar certo: a mandíbula. "Os resultados foram muito interessantes, em três meses tivemos dentes com dentina, esmalte, polpa, todos os elementos necessários, mas ainda sem as dimensões corretas", conta ela.

Nas duas últimas etapas, os pesquisadores voltaram aos experimentos com espécies diferentes, agora usando material biológico de dentes humanos (os tão incômodos sisos) trabalhados em laboratório para atingir o formato adequado. Como os dentes têm formas diferentes, foi usada tecnologia tridimensional para fazer moldes e ajustar tamanho e formato ideais. Os procedimentos foram então repetidos (implantados em omentum e em mandíbulas) com resultados positivos. Falta agora apenas a autorização para iniciar a próxima fase, em que as cobaias serão humanas.

De acordo com a professora, um dos principais desafios em pesquisas com células-tronco é dar estabilidade ao material biológico para manter as partes estrutural e funcional das células íntegras. A reintrodução de células em um paciente, mesmo que sejam dele mesmo - como é o caso - altera o ciclo celular, e se algo dá errado, o processo pode resultar em outros tecidos que não os desejados, ou até em tumores.

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