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Campanha de vacinação do HPV previne o câncer de boca

16/08/2014 Por Redação

Ministério da Saúde imunizou 2,4 milhões de meninas contra o HPV em março - Shutterstock

Entre os benefícios que a campanha federal de vacinação contra o HPV em meninas de 11 a 13 anos, pode-se considerar a prevenção ao câncer de boca. Segundo especialistas, essa doença sexualmente transmissível (DST) é um dos fatores que colaboram para o surgimento de tumores na região oral.

Ainda que não seja a principal causa de neoplasias malignas (tumores) no local – o grupo de risco são homens com mais de 40 anos, fumantes e consumidores de álcool –, o HPV representa risco pelas lesões que pode produzir na língua, lábios e mucosa, entre outras regiões da boca. Essas lesões são chamadas de "cancerizáveis", ou seja, podem se transformar em cânceres ao longo do tempo.

Por isso, a professora da Universidade Federal de Santa Catarina e presidente da Comissão Organizadora do VI Congresso Sul Brasileiro de Câncer Bucal, Liliane Janete Grando, acredita que a influência do HPV deve ser considerada, principalmente, em pacientes “que fogem do padrão” do perfil de risco. Pessoas que, em princípio, poderiam se preocupar menos com a doença.

O surgimento do câncer de boca tem como maior influência o tabagismo, principalmente o hábito estiver aliado à ingestão de álcool. “O álcool aumenta a permeabilidade da boca. Faz com que a mucosa absorva mais rapidamente os agentes cancerígenos presentes no tabaco”, explica Liliane.

Da mesma forma, José Roberto Soares, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), associa outros fatores ao aparecimento de câncer: nutrição inadequada – por diminuir a imunidade e a atenção aos erros genéticos que caracterizam neoplasias -, má higiene bucal e fatores genéticos.   Para descobrir o câncer precocemente, a professora recomenda consultas semestrais ao dentista e autoexame regular. Os sintomas visíveis são feridas indolores que não cicatrizam em 14 dias e placas brancas, também indolores, não removíveis com a escova de dente.

Prevenção

O contágio do HPV se dá pelo contato direto com a região infectada. Sendo assim, quando o jovem inicia sua vida sexual, pode se prevenir da doença na boca e na garganta com o uso de preservativos durante o sexo oral. Além disso, há vacinas disponíveis na rede de saúde brasileira.

De acordo com o Inca, somente cerca de 5% das pessoas infectadas pelo HPV desenvolvem formas de manifestação da doença. Porém, pelo menos 13 tipos de vírus são considerados oncogênicos (com potencial para causar câncer), por apresentarem infecções persistentes.   Um exemplo, citado pela professora, é o tipo 16. Essa variação apresenta placas brancas de evolução rápida e feridas de aspecto verrugoso e saliente na boca. Além disso, são lesões que tendem a voltar, mesmo se retiradas por cirurgia.

Campanha já vacinou 58% da meta

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 2,4 milhões de meninas foram imunizadas nas três primeiras semanas de campanha – ou seja, até 31 de março de 2014. O número corresponde a mais da metade do objetivo, de 4,1 milhões. A vacina tem eficácia de 98% contra o vírus e é atestada pela Organização Mundial da Saúde.

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