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Dentes de leite são utilizados para estudar autismo

16/08/2014 Por Redação

Patrícia Beltrão Braga (ao centro) e a equipe do projeto A Fada do Dente

Crianças de todos os lugares aguardam ansiosas pela queda do primeiro dentinho de leite, que será entregue à Fada do Dente em troca de uma recompensa. A bióloga Patrícia Beltrão Braga e sua equipe descobriam outro destino possível a esses dentes: mapeamento do autismo. No projeto denominado A Fada do Dente, Patrícia e sua equipe utilizam dentes de leite de crianças do todo o Brasil para tentar entender melhor a doença.

Iniciado em 2009, o projeto consiste em receber dentes de leite tanto de crianças que portam autismo ou distrofia muscular (doença correlacionada ao autismo que pode ajudar a entendê-lo) quanto de crianças que não possuam o diagnóstico, usados para comparação. Depois de chegarem ao laboratório da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade de São Paulo (USP), os dentinhos têm sua polpa dentária (uma massinha branca que “recheia” os dentes) extraída e congelada para análises futuras.

Após esse processo, as células-tronco contidas na polpa são transformadas em células do cérebro, como os neurônios. Então, seu comportamento em um paciente autista é estudado. “Atualmente, pouco se sabe sobre o autismo. Já foram identificados cerca de 300 genes com alterações nos pacientes. Mas muitos não apresentam nenhum deles. O principal objetivo do projeto é mapear a genética do autismo no Brasil para descobrir quais são os genes alterados no brasileiro”, conta.

A longo prazo, as pesquisas também podem propiciar uma plataforma para testar medicações in vitro. Patrícia conta que nos Estados Unidos, parceiros da equipe brasileira já testaram uma medicação para um tipo de autismo e encontraram um remédio capaz de reverter as alterações das células. Já foi avaliado se o remédio é tóxico nos pacientes e o próximo passo é avaliar se, na prática, a doença pode ser amenizada ou até mesmo revertida.

Patrícia explica que os experimentos poderiam ser feitos com outros tipos de células, mas como os testes com os dentes deram certo, eles foram escolhidos por ser um material mais prático de se conseguir. “É uma forma rápida e eficiente de obtermos material para estudar. O paciente não sofre nenhuma dor como sofreria se precisasse retirar um tecido. Também recebemos dentinhos de todo País sem precisar que o paciente esteja presente”, explica.

Além de entender a biologia do autismo, Patrícia aponta a possibilidade de levantar as demandas que os pacientes brasileiros têm. “Como recebemos diariamente dentes de todos os cantos do País, poderemos saber onde estão esses pacientes e do que precisam. Muitos pais já nos enviaram mensagens perguntando o que fazer após o diagnóstico. Há uma necessidade de maior auxílio e assistência a essas famílias”.

Mais de 200 dentinhos já foram doados e cerca de 3 mil estão na fila, serão enviados após caírem, pois os pais não devem forçar a queda. Para doar dentes de leite de seus filhos é preciso enviar um e-mail para projetoafadadodente@yahoo.com.br.

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