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Dores de cabeça e até doenças do coração podem surgir em quem não vai ao dentista

16/08/2014 Por Redação

Visitas ao dentista desde bebê evitam sérios problemas de saúde bucal na vida adulta - Shutterstock

Ficar sem ir ao dentista causa diversos danos na saúde do paciente: o tártaro acumulado pode causar problemas nas gengivas, cáries podem surgir e destruir os dentes e outros órgãos do corpo podem ficar doentes com as bactérias vindas da boca.

Imagine então ficar a vida toda sem nenhuma visitinha ao dentista? Essa é a realidade de 18% da população brasileira, segundos dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as razões estão a falta de condições financeiras e de locomoção da população, falta de ações preventivas e educativas nas escolas e pouco investimento do governo para atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“O maior problema da demora em ir ao dentista, ou de ficar anos sem ter a primeira consulta, é que, quando o paciente finalmente vai consultar, já chega com o quadro grave, tendo de extrair os dentes”, observa o presidente do Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo (SOESP), Pedro Petrere. Se o conhecimento sobre escovação dentária apropriada e prevenção de cáries também for deficiente, as bactérias irão acumular na gengiva e nos dentes, causando desde tártaro (que deveria ser removido a cada seis meses) e cáries, até problemas gengivais como periodontite (inflamação da gengiva que pode levar ao afrouxamento dos dentes) e paradentose (amolecimento dos dentes).

Segundo Petrere, em São Paulo, o tempo de espera para uma consulta chega a ser de seis a oito meses pelo SUS. “Quando o Estado abriu para fazer próteses, a espera chegava a quatro anos”. Para o dentista, é preciso aumentar o investimento na área, com mais recursos para materiais, além de voltar a colocar dentistas nas escolas, ação que, segundo ele, era promovida pelo pode rpúblico há alguns anos para tratar e prevenir problemas de saúde bucal nos estudantes.

Porto Alegre

O presidente do Sindicato dos Odontologistas no Rio Grande do Sul (SOERGS), Andrew Lemos Pacheco, afirma que outros órgãos do corpo podem sofrer com a má saúde da boca. “Existe a endocardite bacteriana subaguda, por exemplo, onde o foco da bactéria está nos dentes do paciente, mas é levada através da corrente sanguínea para outros órgãos, podendo causar infartos fulminantes. Além disso, podem surgir problemas dentários que causam muita dor, até mesmo dores de cabeça. Além de uma exclusão social, como dificuldades para conseguir emprego por ter dentes faltando”, explica. O mais indicado é que se vá ao dentista a cada seis meses e que as consultas se iniciem desde bebê, até antes de os primeiros dentinhos aparecerem, pois a gengiva já pode acumular placas.

Pacheco aponta problemas que são encontrados em Porto Alegre. “Temos cerca de 178 profissionais públicos, para uma cidade de 1,6 milhões de habitantes, quando deveríamos ter no mínimo 500. Como o acesso é difícil, a população se acostuma a não procurar mais”. Na capital gaúcha, uma consulta pelo SUS pode demorar um ano, enquanto as particulares custam, em média, R$ 100.

Rio de Janeiro

O presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ), Afonso Fernandes Rocha, informa que, na cidade, existem os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), onde a população pode fazer tratamentos odontológicos gratuitos, mas a espera por consultas pode demorar de quatro a cinco meses. Rocha conta que há casos de pessoas que nunca tiveram escova de dentes ou têm apenas uma para toda a família.

Nordeste

Em Fortaleza (CE), a rede pública cobre cerca de 40% da população em serviços odontológicos. Segundo o diretor do Sindicato dos Odontologistas do Estado do Ceará (Sindiodonto), Victor Portela, em alguns postos, é possível conseguir consultas no mesmo dia. Em outros, a espera chega a um mês. Existem cerca de 250 profissionais distribuídos em 90% dos 92 postos de saúde da cidade, com no mínimo dois dentistas cada. As consultas particulares custam uma média de R$ 50 segundo o sindicato.

Pacheco ressalta que a educação e prevenção feita nas escolas podem ajudar a melhorar essa situação. “Se o governo investisse em prevenção, a demanda dos adultos nos postos de saúde diminuiria. Sem contar que prevenir é ainda mais barato do que tratar”, conclui. “Se a escola ensina à criança como ter uma boa higiene bucal, ela leva a informação para casa”.

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