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Entenda como o flúor na água ajuda a combater a cárie

16/08/2014 Por Redação

Flúor presente na água equilibra perda e ganho de minerais nos dentes - Shutterstock

Recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e escolhida uma das dez medidas de saúde pública mais importantes do século XX, a fluoretação da água é um elemento essencial na prevenção da cárie. A iniciativa se compara às vacinas para erradicação de doenças, tamanho é o seu poder preventivo, afirma Marília Buzalaf, professora da faculdade de odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo. Um relatório da OMS detectou uma redução de cerca de 50% na prevalência de cáries entre os consumidores da água fluoretada. Hoje, cerca de 400 milhões de pessoas em 53 países consomem água com fluoreto. De acordo com dados de 2009 do Ministério da Saúde, o Brasil - onde a medida é obrigatória por lei desde 1975 - dispõe do segundo maior sistema de fluoretação de águas de abastecimento público no mundo.

A cárie dentária é causada pelo acúmulo de bactérias e pela exposição a açúcares. Quando o açúcar é ingerido, as bactérias o consomem para gerar energia e acabam por produzir um ácido que dissolve o mineral dos dentes: é a desmineralização. A reposição acontece naturalmente pela saliva, no fenômeno chamado remineralização. Quando esse balanço entre perda e ganho de mineral é quebrado, acontece a cárie.

O flúor reduz a incidência desse problema exatamente por intervir favoravelmente nas reações, explica Marília. A substância reduz a desmineralização do esmalte-dentina e ativa a capacidade remineralizante da saliva.

Um estudo realizado em março deste ano pela Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, em parceria com a Universidade de Adelaide, Austrália, produziu evidências ainda mais fortes dos benefícios da água fluoretada à saúde dental. Segundo a pesquisa, mesmo adultos que não receberam água fluoretada quando criança têm o combate à cárie intensificado pelo flúor. Adultos que passaram mais de 75% da sua vida em comunidades com água fluoretadas tem até 30% menos cáries quando comparado aos outros. “Durante muito tempo se achava que isso era importante só para crianças, já que elas têm maior incidência de cárie por ingerir mais açúcar e fazer uma higiene menos rigorosa”, diz Marília. A professora explica que, com o passar dos anos e a melhora na higienização, os adultos passaram a manter os dentes na boca por mais tempo. Com isso, as doenças periodontais - quando o dente perde sua inserção - tendem a ocorrer mais. “O tecido dentário que recobre a raiz é mais frágil que o que recobre a coroa, havendo mais cáries ali. Por isso o fluoreto é importante na prevenção da cárie de raiz”, afirma.

Não há efeitos colaterais graves causados pelo consumo de fluoreto na água. A única consequência negativa conhecida é a fluorose dentária, pequenas manchas esbranquiçadas que atingem até 10% da população. Apesar disso, trata-se de uma questão meramente estética e não funcional, ressalta Marília.

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