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Má higiene bucal põe saúde de pacientes internados em risco

16/08/2014 Por Redação

A boca é porta de entrada para bactérias prejudiciais ao aparelho respiratório - Shutterstock

A má higiene bucal em pacientes internados pode aumentar o risco de desenvolver a pneumonia nosocomial, infecção que ocorre após 48 horas de internação do paciente em um hospital. Ela geralmente é originada da presença de bactérias na corrente sanguínea, especialmente bastonetes Gram-negativos (mais resistentes a antibióticos, por exemplo).

Além de porta de entrada, a boca pode se tornar um reservatório para bactérias prejudiciais ao aparelho respiratório. “As vias de acesso das bactérias são as tradicionais vias de passagem do ar pela boca, narinas e suas conexões até atingir porção pulmonar”, explica o consultor científico da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e do Instituto Pedro Martinelli de Odontologia, Rodrigo Bueno de Moraes.

O professor titular de periodontia da Unicamp Antonio Wilson Sallum explica que o processo inflamatório libera citocinas, que são facilitadores da agregação de bactérias no pulmão. O biofilme - ou a placa bacteriana - nas superfícies dos dentes ou dentaduras pode se tornar colonizado por microorganismos que causam doenças respiratórias. Esse processo se agrava pela má higiene bucal em pacientes de hospitais. Geralmente, o cuidado com a higiene bucal dentro de uma UTI é secundário, já que os médicos têm outras prioridades. Os pacientes mais vulneráveis a infecções respiratórias, segundo os estudos publicados na área, são os idosos, que já têm uma saúde mais sensível.

Quanto maior o tempo de internação dos pacientes, mais cuidados requer a cavidade bucal. O professor explica que, quando o paciente recebe cuidados odontológicos adequados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), caem os números de mortalidade e de uso de antibióticos, e o paciente também sai mais rápido do hospital. “Estão colocando dentistas na UTI para baixar esse risco. Hoje fica muito claro para ciência que a cavidade bucal em condições de saúde é preventivo para não agravar riscos sistêmicos”, ressalta.

Todo cuidado é pouco nos casos extremos, como os de internação, e a boa higiene da boca e os cuidados nas situações de tratamento bucal recomendável devem ser considerados para o bem-estar desses pacientes, afirma o consultor científico. “Nesse sentido, escovas especiais, bochechos e géis de clorexidina (tipo de antisséptico bucal) e normatização da rotina hospitalar de modo a incluir o cuidado bucal assistido pela enfermagem e dentistas hospitalares é primordial”, recomenda.

Dentro das UTI, atualmente, é realizada uma profilaxia da cavidade bucal para diminuir o risco de contaminação de bactérias na boca. Ela é feita com uma gaze, umedecida com clorexidina. 

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