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Professora aponta falta de profissionais capacitados para tratar pacientes deficientes

16/08/2014 Por Redação

IBGE aponta que 23,9% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência - Shutte

O primeiro problema no atendimento odontológico a deficientes é o desconhecimento do perfil dessas pessoas, diz Mônica Fernandes Gomes, professora coordenadora do Programa de Formação em Odontologia para Pessoas com Deficiência (PFOPD) da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (Unesp). “Deficiência não é uma doença. Pessoas com deficiência apresentam alterações. Estima-se que 23,9% da população brasileira tenha algum tipo”. O número apontado por Mônica faz parte do Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mais recente.

A partir disso, o tratamento e o ensino requerem equipes com pessoas de outras áreas, que não da Odontologia. “O trabalho deve ser transdisciplinar, envolvendo fisiologistas, psicólogos, fonoaudiólogos. Muitas vezes, nem há necessidade de um equipamento especial com a presença desses profissionais”. A professora conta que o posicionamento correto do paciente na cadeira do dentista, por exemplo, promove um relaxamento generalizado, principalmente nas regiões do pescoço e cabeça. Essa ação facilitaria o trabalho do cirurgião.

Uma das críticas de Mônica é a falha no ensino de universidades, que geralmente não oferecem disciplinas relacionadas em sua grade curricular. “Quando há, não são obrigatórias. Os alunos se formam sem nem saber do que se trata (o atendimento especial aos deficientes). Esse é o motivo de o mercado apresentar uma minoria de profissionais capacitados. Falta capital intelectual”, afirma. Para a professora, o atendimento em certos municípios fica assim comprometido. “Não se pode negar atendimento à saúde e educação, é direito de todos. Sem mudar o currículo, o próprio governo acaba se prejudicando e enfrenta processos por causa disso”.

Por isso, algumas vezes os responsáveis pelas pessoas com deficiência apresentam conhecimento mais apurado que o próprio dentista, segundo Mônica. Cabe ao profissional formado, no entanto, orientar àqueles que ainda não possuem prática na higienização bucal dos pacientes, para que não haja descuido. “Essa orientação, inclusive, vai além do atendimento ao deficiente. Todas as pessoas envolvidas aprendem. Uma mãe, por exemplo, começa a ensinar melhor outros filhos e parentes. Isso pode ser visto como uma estratégia de trabalho”, relata.

O PFOPD formou, gratuitamente, 153 profissionais da rede pública para atender em 48 municípios, até 2012. Ainda assim, para Mônica, os números estão longe de serem suficientes. “Projetos, infelizmente, têm um tempo de vida. O objetivo é que surjam departamentos nas secretarias estaduais de saúde, esses sim, permanentes. Falta sensibilização ao setor público para investir em recursos humanos”.  

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