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Quando o assunto é doença bucal, diabéticos devem ter cuidado dobrado

16/08/2014 Por Redação

Em diabéticos, complicações bucais são três vezes mais graves - Shutterstock

As chances de um diabético desenvolver qualquer tipo de complicação bucal é muito maior do que as da população em geral. Se toda a população hipoteticamente parasse de escovar os dentes e passar fio dental, nem todos que desenvolveriam gengivite (inflamação na gengiva). Diferentemente dos diabéticos, que devem prezar por uma rigorosa higiene bucal porque falhas nessa área podem resultar em graves complicações futuras. “Nesse grupo tudo é muito maior. Por terem problemas de circulação e uma defesa retardada às bactérias da boca, as doenças se desenvolvem muito mais rapidamente, podendo evoluir para uma periodontite”, explica o dentista e professor Giuseppe Alexandre Romito da Universidade de São Paulo (USP).

A periodontite, estágio seguinte à gengivite, se não tratada, pode desencadear na perda dos dentes. Na lista de complicações mais comuns entre os diabéticos - não só relativas à saúde bucal -, a periodontite é a sexta, ficando na frente da halitose (mau hálito) e xerostomia (boca seca).

É importante lembrar que nem todos os portadores de diabetes possuem a mesma chance de contrair complicações bucais. “Os riscos são proporcionais à consciência que a pessoa tem de sua doença. Se o indivíduo estiver no quadro de pacientes controlados, por exemplo, a chance de desenvolver algo já é muito menor”, completa Giuseppe. Enquanto um diabético não controlado pode ter expectativa de vida reduzida em 10 anos e um controlado pode viver sem (quase) nenhuma restrição, no Brasil, de 12 milhões afetados, cerca de 50% não sabem que têm a doença, segundo o Ministério da Saúde.

Mas ser diabético facilita o desenvolvimento de doenças bucais e estas, por sua vez, prejudicam o paciente. Isso acontece porque as complicações bucais afetam o controle de glicose no sangue. E uma vez este afetado, a absorção de glicose - que já é um problema para o diabético - fica ainda mais difícil.

Cárie

Tem quem associe a cárie aos diabéticos pelo fato destes, na fase “pré-diabética”, - em que não sabiam que tinham a doença -, terem ingerido muito açúcar. Segundo a professora do departamento de Odontologia Social e Preventiva da Universidade Federal de Minas Gerais Denise Vieira Travassos, não é possível comprovar uma correlação direta. “A depressão ou ansiedade, junto a algum remédio que possa reduzir a quantidade de saliva, pode levar ao desenvolvimento de uma cárie. No entanto, não é possível correlacionar o grupo com a cárie”, explica.

Enquanto duas idas anuais ao dentista são suficientes para a população em geral, quatro vezes é o mínimo recomendado para diabéticos. A prevenção de doenças bucais está diretamente ligada ao controle do diabetes, que se dá por meio de exames de sangue, rigorosa higiene bucal e visitas periódicas ao médico e dentista. O professor Giuseppe garante: “as chances de complicações bucais diminuem consideravelmente quando o paciente tem a consciência de sua doença”.  

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