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Transplantes ósseos podem ser feitos no consultório do dentista

16/08/2014 Por Redação

Transplante ósseo é indicado para casos de implante dentário - Shutterstock

Os transplantes ósseos podem ajudar pacientes com problemas odontológicos em vários casos. Os mais frequentes são casos em que o paciente não tem volume ósseo suficiente para receber um implante dentário, e casos de lesões nos ossos causadas por câncer, em que a parte óssea precisa ser removida.

As intervenções são realizadas por dentistas especializados, no consultório e com anestesia local. Em casos de traumas por acidentes com lesão na área bucal, o procedimento odontológico pode ser feito no hospital juntamente com as demais intervenções cirúrgicas.

Segundo o membro titular da comissão odontológica da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) Renato Costa Franco Baldan, para pacientes que precisam da reabilitação por implante dental, o transplante pode ser necessário se os ossos das raízes dos dentes que foram perdidos estiverem com volume insuficiente para segurar o implante. Nesse caso, o dentista reconstrói o osso para ter uma estrutura firme que possa receber as próteses.

Entre os outros casos que podem ter indicação de transplante estão as fraturas ósseas de mandíbula; a fissura palatal, que é uma fenda na parte superior interna da boca que ocorre em algumas crianças com lábio leporino (uma má formação embrionária que gera aberturas no lábio ou nos ossos do palato); e o levantamento dos seios maxilares, também quando há volume insuficiente de osso para realizar o implante dentário na arcada superior.

Mais resistente

O transplante ósseo é indicado como alternativa à transposição autógena, quando a porção de osso a ser enxertada é extraída do queixo ou do quadril do próprio paciente. Segundo Baldan, quando esse procedimento não pode ser feito, a melhor opção é o transplante de material ósseo de procedência humana, porque ele é 80% mais próximo do tecido do paciente do que uma prótese sintética. As vantagens do osso transplantado são a maior resistência e melhor adaptação ao organismo. De acordo com Baldan, o transplante ósseo é seguro, e a chance de rejeição é muito pequena.

Apenas os dentistas especializados em cirurgia bucomaxilofacial, periodontia e implantodontia credenciados no Conselho Federal de Odontologia estão habilitados a fazer transplantes com material ósseo de origem humana. Segundo o consultor da ABTO, é uma parcela pequena dos dentistas que têm essa habilitação.

Doação de ossos

Para que mais pessoas possam ser beneficiadas, é preciso mais conscientização sobre a possibilidade de doar tecidos ósseos para o banco de ossos, que reúne instituições cadastradas junto ao Governo Federal pelo Sistema Nacional de Transplantes e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que captam, processam e distribuem os tecidos. O dentista solicita o material para o banco na medida certa para a necessidade do paciente, e isso faz com que o aproveitamento dos ossos doados seja otimizado.

Para o ortopedista e chefe do Banco de Tecidos do Instituto Nacional  de Traumatologia e Ortopedia (INTO) Rafael Prinz, o que mais dificulta é o desconhecimento da população a respeito da doação de ossos. Segundo ele, 60% das famílias que autorizam a captação de outros órgãos para doação não permite a retirada de tecidos ósseos porque têm receio de que o procedimento vá desfigurar o corpo do doador. É importante esclarecer que, nesse caso, é obrigatório por lei que, após a captação dos tecidos, a equipe faça uma reconstrução anatômica, utilizando próteses de material sintético para deixar a área com uma aparência similar à de antes do procedimento.

A captação de um único doador atende em média 30 pacientes de diversas áreas. “Para a área odontológica, esse número é ainda maior”, diz Prinz. O INTO fica no Estado do Rio de Janeiro e envia material para todo o Brasil, gratuitamente.

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