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Cientistas descobrem substância capaz de aumentar capacidade regenerativa dos dentes

Logotipo do(a) ColgateColgate 19/02/2017 Colgate
Droga estimula células dos dentes a taparem pequenos buracos. © Fornecido por Cartola Droga estimula células dos dentes a taparem pequenos buracos.

Sabe aquele barulho característico do procedimento de uma obturação? Cientistas britânicos descobriram uma substância que pode livrar seus ouvidos dele. O Tideglusib, droga criada por uma equipe do King's College de Londres, foi testado em ratos e apresentou respostas de reparação do tecido em seis semanas. 

Professor de Histologia Bucal para o Curso de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Cleber Machado de Souza (CROPR 10942) afirma que a capacidade natural de regeneração dentária é muito pequena. Ele conta que a região interna do dente, chamada de polpa, abriga uma variedade de células (odontoblastos) produtoras da matéria orgânica e inorgânica que irá, posteriormente, sofrer o processo de mineralização. 

Inicialmente, elas produzem uma dentina chamada de primária para a formação dos dentes de leite ou permanentes. “Após essa fase estar concluída, os odontoblastos ainda continuam a produzir os elementos formadores da dentina, porém em um ritmo mais lento. Essa dentina é conhecida por secundária e faz com que a câmara pulpar interna fique menor com o passar dos anos”, explica Souza.

Para aumentar este ritmo, no teste feito pelos cientistas britânicos, uma esponja de colágeno biodegradável contendo a droga é inserida na cavidade do dente de um camundongo. Aos poucos, ela libera o Tideglusib, que promove um processo natural de reparação, aumentando a capacidade das células-tronco de restaurar uma lesão. Após seis semanas, o tratamento apresentou uma renovação tecidual e o desaparecimento da esponja. 

Sandra Kalil (CROSP 40596), membro da Câmara Técnica de Odontopediatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, salienta que a droga evitaria procedimentos mais invasivos em lesões profundas, além de ser uma alternativa aos tratamentos convencionais empregados hoje. Apesar dos benefícios, o elemento não irá substituir totalmente as restaurações atuais. “Ela é destinada à regeneração da dentina, mas não à regeneração do esmalte e, por enquanto, está restrita à áreas pequenas. Em longo prazo ou com o resultado de novos estudos, quem sabe a recuperação do esmalte também possa ocorrer”, esclarece Sandra.

Com efeito local, o Tideglusib pode ser utilizado apenas dentro da cavidade e em quantidades pequenas. Dessa forma, não apresenta consequências para o organismo. Entretanto, em doses maiores pode apresentar efeitos colaterais. “A substância, nessa esponja biodegradável em contato com a polpa dental, funcionou como um super estimulante para as células tronco e reparou essa pequena estrutura. Porém, ressalto que ainda é muito cedo para afirmar que possa haver uma regeneração de toda a estrutura dental”, salienta Sandra. 

Sandra faz uma ressalva: “trata-se de um estudo em molares de camundongos e ainda não foi testado em dentes humanos, portanto temos que ter cautela em relação à isso, lembrando que a cavidade foi provocada e não havia presença de bactérias”. Dessa forma, não se pode confirmar a efetividade do tratamento. Souza explica que, para a odontologia, a descoberta é interessante e inovadora, apesar de ser apenas um estudo sem comprovação da eficácia em dentes humanos. “Como professor e cientista, estou animado, porém cauteloso em relação ao lançamento de novos tratamentos antes de ter certeza dos principais efeitos primários e secundários do uso dessa substância”, afirma. 

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