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A importância de ser (e ter) Bruno e Gelson

Logótipo de TribunaTribuna 24/08/2017 Lídia Paralta Gomes
Tribuna: A importância de ser (e ter) Bruno e Gelson © ROBERT GHEMENT/EPA A importância de ser (e ter) Bruno e Gelson

O Sporting ainda sofreu no início da 2.ª parte, mas a meia-hora do fim começou o show de Bruno Fernandes e Gelson Martins, dois miúdos que valem milhões, muito mais do que aqueles que o Sporting acabou de assegurar ao agarrar um lugar na Liga dos Campeões, após "varrer" o Steaua por 5-1.

Dan Petrescu, um dos melhores laterais da história da Roménia e mítica figura do Steaua no final dos anos 80, dizia antes do início do jogo entre a equipa de Bucareste e o Sporting que esperava que o Steaua não sofresse um golo que fosse. “Porque vai ser impossível marcar dois”.

Até aos 60 minutos de jogo, receou-se que Dan Petrescu pudesse não ter razão. Com 1-1 no marcador, o Steaua entrou na 2.ª parte a pressionar. O Sporting parecia, mais que sem ideias, demasiado intranquilo para as colocar em prática.

Coates tremia, Mathieu tremia, a bola não chegava lá à frente. Alibec rematava a cada nesga de espaço que encontrava e ficava a sensação que podia marcar sozinho, a qualquer hora, de qualquer lugar.

Só que há algo que faz a diferença entre uma equipa como a do Steaua e este Sporting: a importância de ser (e ter) Bruno Fernandes e Gelson Martins.

A partir do minuto 60, os dois miúdos pegaram no jogo e o Sporting, que até aí tinha estado a um golo da eliminação, foi demolidor: marcou mais quatro golos, todos eles com influência de Bruno ou Gelson (ou os dois). Bem que Jesus lhes pode agradecer a Champions e os quase 15 milhões que vão entrar desde já nos cofres de Alvalade.

Mas, passe a redundância, vamos começar pelo início. Um início em que toda a gente ficou de boca aberta quando percebeu que o matador da equipa, Bas Dost, estava no banco. A entrada de Doumbia fazia crer que Jesus queria um ataque mais móvel, a explorar as costas do adversário e o contra-ataque.

Ainda assim, o Sporting não deu a iniciativa de jogo ao adversário: entrou até com toda a pujança e logo aos 13 minutos a aposta de Jesus deu frutos: lançamento lateral à inglesa de Piccini, Mathieu ganha nas alturas, Acuña antecipa-se e toca para o avançado costa-marfinense que coloca o pé para a emenda.

E parecia tudo encaminhado.

Só que o Sporting reagiu mal ao golo. A confiança subiu, mas talvez demasiado e aos 20 minutos uma incursão de Coates por terrenos mais avançados correu mal: o central errou um passe e depois mais ninguém acertou. Nem Piccini e muito menos Mathieu, que se atemorizou com a cavalgada de Alibec (sempre Alibec) que recebeu a bola na esquerda, passou que nem um foguete pelo francês e rematou forte. Patrício ainda defendeu com esforço, mas lá de trás vinha Júnior Morais, ex-Freamunde, que só teve de encostar para a baliza deserta.

Foi o primeiro golo sofrido pelo Sporting esta época em jogos oficiais e com efeitos perigosos: a partir daí o jogo ficou desinteressante mas, ao mesmo tempo, imprevisível, principalmente para os leões.

A subida de confiança do Steaua só foi estancada a partir do minuto 60. Momentos antes, Jorge Jesus tinha voltado à casa de partida. Doumbia tinha desaparecido - ainda assim, com aquele primeiro golo já pagou a dívida que tinha para com a equipa depois daquela eliminatória com o CSKA Moscovo - e entrou Bas Dost.

E começou então o show Bruno & Gelson.

Arrancou com passe soberbo de Bruno Fernandes, a meio-campo, que encontrou e isolou Acuña. O argentino conseguiu desenvencilhar-se do guardião Nita e 2-1 no marcador. Quatro minutos depois, o 2.º acto: mais um passe de Bruno Fernandes, desta vez a lançar Gelson Martins na direita. O extremo (que é cada vez mais um todo-o-terreno no ataque) ainda viu Bruno a correr, mas não teve mais: com três jogadores à sua volta, puxou o pé e rematou cruzado e rente à relva, fora do alcance de Nita.

A partir daqui, com o Steaua já de cabeça baixa, foi só avolumar, sempre com os dois miúdos a fazer miséria. Aos 75’, Bruno volta a ver Gelson solto na direita, dá a bola ao seu novo melhor amigo e companheiro na construção da desgraça alheia e este, por sua vez, cruza para Bas Dost, que com um toque precioso e colocadíssimo bate Nita pela 4.ª vez.

E como uma mão-cheia fica sempre bem, já sem Gelson em campo Bruno Fernandes está novamente na génese do último golo dos leões em Bucareste. O internacional sub-21 recebeu na esquerda e, vendo a corrida de Fábio Coentrão para o meio, deu para o lateral que, em modo 2010, colocou um defesa do Steaua no chão e ofereceu o golo a Bas Dost. Nita defendeu a custo o remate do avançado, mas estava lá Battaglia para a recarga.

Com uma meia-hora luxuriante, o Sporting colocou-se entre os melhores da Europa e vai pelo segundo ano consecutivo disputar a Liga dos Campeões. Agora há muitos milhões para agarrar, mas há duas pérolas de valor incalculável que já estão em Alvalade. E chamam-se Bruno Fernandes e Gelson Martins.

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