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"FC Porto ficou chocado por eu recusar a proposta"

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/09/2017 Alcides Freire

Treinador francês Claude Puel lembra o dia em que o FC Porto lhe ofereceu o lugar de José Mourinho, que rejeitou para ficar de bem com a sua consciência

Os olhos de Pinto da Costa pousaram sobre Puel para substituir o Special One. A abordagem chegou a ser feita, mas uma noite mudou tudo.

O seu nome já foi apontado várias vezes para treinar o FC Porto. O que há de verdade nisso?

Nesta altura já posso contar, porque essa história já prescreveu. Tinha sido campeão no Mónaco e cheguei ao Lille, a um clube em construção, onde tudo estava por fazer. Tínhamos um orçamento de 19 milhões de euros, na altura, mas não tínhamos estrelas, quase só jovens da formação. Conseguimos ir buscar alguns jogadores baratos e terminámos em 14.º na primeira temporada, depois 10.º e surge o FC Porto. Estavam interessados em mim, não sei se o Rui Barros, ou o Costinha tinham falado bem de mim ao presidente, mas eles queriam que eu ficasse no lugar do José Mourinho, que ia para o Chelsea.

O que é que correu mal?

Os dirigentes vieram conversar comigo, também vinha o Rui Barros, estávamos na segunda jornada do campeonato e tinha reunião com eles a seguir ao jogo. Avisei o presidente do Lille de tudo e conversámos, ouvi o projeto que tinham e a proposta. As coisas estavam bem encaminhadas. Entretanto, pedi que me dessem pelo menos essa noite para refletir. Era extraordinário para mim ser procurado pelo FC Porto, porque ser procurado pelo FC Porto também queria dizer jogar na Liga dos Campeões, poder jogar a Taça Intercontinental, a Supertaça europeia no Mónaco... enfim, era tudo o que um treinador podia desejar. Era uma oportunidade muito interessante até do ponto de vista da minha carreira. Só que não consegui deixar o Lille, porque o clube estava num momento decisivo da sua história, estava em construção e se deixasse tudo, sem mais nem menos, ia ser o pânico. Tinha a certeza de que a seguir iam ter muitas dificuldades para se manterem na I Divisão. Não podia virar costas, simplesmente. No dia seguinte, quando voltei a encontrar-me com os dirigentes do FC Porto disse que não aceitava a proposta. Agradeci e percebi que ficaram perplexos, chocados até, porque qualquer treinador teria aceitado embarcar num projeto tão extraordinário como aquele. Mas não consegui.

© Pedro Correia/Global Imagens

Não se arrepende?

Acho que faria igual. Sempre fiz tudo para respeitar os meus contratos e quem me pagava, é uma questão de princípios para mim. Claro que muita gente me disse que era maluco e eu dizia para mim que se não voltasse a acontecer, tinha de ter paciência, mas pelo menos ficava de consciência tranquila e isso é o mais importante. Claro que se tivesse assinado pelo FC Porto, talvez a minha carreira tivesse progredido mais rapidamente. Pode ser que o comboio volte a passar um dia, quem sabe. Já agora, mande um abraço ao Rui Barros, que conheço bem. Jogámos juntos no Mónaco e é uma pessoa extraordinária.

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