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Magnusson e a luta contra o álcool: “Naquele jogo contra o Zidane estava bêbado. A primeira coisa que fiz quando entrei no campo foi cair”

Logótipo de TribunaTribuna 19/09/2017 Expresso

Mats Magnusson ficou na memória de muitos portugueses ( e benfiquistas) por ter aparecido num jogo de beneficência no Estádio da Luz, em 2010, alcoolizado. Passados sete anos, Magnusson está sóbrio, tem uma biografia a ser lançada na Suécia, e sonha com vir morar para Lisboa e ver o filho mais novo a jogar no Benfica

Quase todas as grandes biografias têm um momento de périplo, o dito “momento da verdade”, em que o retratado é obrigado a tomar uma decisão, ou acontece-lhe alguma coisa, que vai determinar o seu futuro. É como se toda a história se afunilasse para essa decisão. Depois, há o desenlace - heróico, trágico, cómico...

Mats Magnusson, jogador histórico do Benfica na década de 80 e 90, teve o seu momento-chave já muito depois de ter pousado as chuteiras, depois de ter vindo a Portugal, em 2010, participar num amigável promovido pelos encarnados e os amigos de Zinedine Zidane, para uma instituição de beneficência.

Anos antes, o álcool tinha-o ‘atropelado’ para fora da sua família, filhos e amigos. “Podia beber muito e não ficava agressivo ou desagradável. Divertia-me. Mas depois comecei a beber cada vez mais e acabei a beber sozinho. Escondia-me dos outros para me poder enfrascar à vontade. Podia pegar numa garrafa de uísque e bebê-la de um golo", recordou Magnusson numa entrevista concedida ao diário sueco “Expressen” no último fim-de-semana, a propósito do lançamento da sua biografia, escrita pelo jornalista e amigo Marcus Birro, cujo título é: “Mats - o regresso do inferno”.

Tribuna: Magnusson e luta contra o alcoolismo: “Naquele jogo contra o Zidane estava bêbado. A primeira coisa que fiz quando entrei no campo foi cair” © Tribuna Magnusson e luta contra o alcoolismo: “Naquele jogo contra o Zidane estava bêbado. A primeira coisa que fiz quando entrei no campo foi cair”

Quando passou por Lisboa, em 2010, Magnusson já estava no limite. “Aquele jogo contra o Zidane... é terrível pensar nisso. Foi demasiado. Estava bêbado no relvado e a primeira coisa que fiz quando entrei foi cair”, revelou.

“Foi uma viagem de um fim-de-semana e eu comecei a beber logo no avião. Não estava muito bêbado, só um pouco. Lembro-me de cair quando estava a entrar no autocarro que nos levava do avião ao terminal. Fiz uma grande ferida na perna e demorou muito a cicatrizar”, lembrou o ex-jogador do Benfica.

Divorciado, a dormir nas instalações do Högaborg, clube onde trabalhava, os amigos e a família foram oferecendo-lhe, muitas vezes, ajuda. Mas o sueco foi recusando. Vivia o seu próprio inferno, mas pensava que ninguém reparava. “Tinha a chave e pensava que ninguém sabia que eu passava lá as noites. Mas toda a gente sabia e deixavam-me ir. Quando alguém queria falar comigo, dizia que estava tudo bem”, contou.

Até que um dia, já desesperado, o amigo Hakan Lindman convenceu-o a encontrar-se com Erling Palsson, antigo jogador do Malmö. Para lhe dar trabalho e casa, Palsson impôs uma condição: tinha de ir para um centro de reabilitação. Ir significava perder a sua âncora, aquilo que apesar dos danos que causava lhe dava prazer, recusar era… morrer. “Se não tivesse tomado esta decisão neste dia, não duraria muito tempo. Ter-me-ia matado”, admitiu.

O fim do “Rock&Roll” e o sonho de ver o filho jogar no Benfica

Saído da reunião com Erling Palsson e decidido a fazer uma desintoxicação, Mats Magnusson ligou logo à ex-mulher e aos filhos Natalie e Sebastian. Até porque eles tinham sido os principais prejudicados por toda aquela situação. “Nunca me vou esquecer do dia em que fui ver um jogo de hóquei do Sebastian [filho mais velho] em Skellefteå. Ele puxou-me para o lado e disse-me: 'A partir de agora, não quero que venhas aqui depois de te embebedares, pai”, lembrou Magnusson.

Um mês depois da conversa decisiva, Magnusson entrou no centro de recuperação de Nämndemansgarden. Deixou o álcool, passou a ter cuidado com a dieta. Casou (outra vez) e teve outro filho - que já tem cinco anos e promete ser craque da bola.

Em fevereiro, deixará de ter dívidas - outro dos problemas criados pelos álcool. Depois, os planos de futuro serão feitos a pensar em Portugal.

“A longo prazo, espero que possamos mudar-nos para Lisboa. O meu sonho é ver o nosso pequeno filho a correr no Estádio da Luz”, contou.

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