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O exemplo de liderança da Federação Espanhola

Logótipo de Tribuna Tribuna 13/06/2018 Rui Lança

A história – também a do desporto – está cheia de casos que permanecem nas nossas conversas e recordações durante muito tempo. O caso de Lopetegui, seleção espanhola e porque não, do Real Madrid, será certamente uma delas. Mas como quase todas as histórias, existem sempre vários ângulos de análise. E este é que a federação espanhola soube reagir de imediato, e na minha opinião, tornou uma situação caricata, ‘amadora’ e desconfortável, numa reação assertiva, organizada e que demonstra muita confiança naquilo que é a sua estrutura.

Parece-me ser um exemplo extraordinário para se analisar aquilo que pode ser uma lição de liderança com base em valores e no exemplo de que a seleção está acima de tudo. Deixo aqui cinco pontos.

Luis Rubiales, presidente da Federação Espanhola de Futebol: O exemplo de liderança da Federação Espanhola © Getty Images O exemplo de liderança da Federação Espanhola

1 – O que se destaca é o momento. E a liderança também é muito aproveitar e saber ler o momento. E aqui existem três. Aquele em que é tornado público qual seria o novo treinador do Real Madrid. E naturalmente o clube considerou que os seus interesses estavam acima de qualquer outro clube ou seleção. E o outro, em que a entidade patronal de Lopetegui assume dispensá-lo dado que existem vários casos dentro deste mesmo caso: um treinador que a poucos dias do primeiro jogo do Mundial é apresentado como treinador de um dos clubes mais representados na convocatória; e também a incapacidade do ex-selecionador em conseguir convencer o seu novo clube de esperar pela apresentação até ao final da participação espanhola no Mundial. E aqui surge o outro momento. Porque poderia demorar 10 a 30 dias.

2 – Estrutura. Vários estudos discutem qual a importância e peso do treinador e da estrutura no sucesso de uma equipa. A tomada de decisão demonstra claramente que a federação confia mais na estrutura da seleção do que centralizar a importância do resultado no selecionador nacional.

3 – Treinador enquanto líder. Provavelmente falta-nos muita informação. Mas creio que a estrutura da federação colocou claramente em causa a liderança e o carisma do selecionador, dado que este colocou os seus interesses pós-mundial (ou a não conseguiu que o Real Madrid se mantivesse em silêncio mais tempo) à frente daquilo que deve ser um ambiente altamente focado apenas nos três primeiros jogos da fase inicial do campeonato do mundo.

4 – Liderança pelo exemplo. O que a federação acima de tudo conseguiu foi dar um exemplo a quem está no seu seio que a seleção está de facto acima de tudo, pelo menos, enquanto os jogadores, estrutura e staff estiverem na competição. E numa fase social e de gestão em que somos diariamente confrontados com mentiras, incoerências e anarquias, este exemplo pode ter sido um passo muito mais à frente do que os passos atrás devido à saída de Lopetegui.

5 – Antifragilidade. Tudo isto pode ir de encontro ao fenómeno da antifragilidade, que nos indica que face a um acontecimento que tem tudo para tornar mais frágil a pessoa ou a organização onde isto acontece, esta organização pode conseguir impulsionar os poucos ângulos positivos e tornar este acontecimento numa oportunidade e sair ainda mais forte. Tal como aconteceu nas situações de Ronaldo ou Ricardinho nas finais. A seleção espanhola pode vir a sair deste acontecimento por cima e uma vitória frente a Portugal, em que os espanhóis já estavam como principais favoritos nesse jogo, será festejada como uma vitória da estrutura e não de qualquer treinador. Por outro lado, um resultado negativo será um desafio ainda maior para Espanha. Não porque essa derrota se deve a Lopetegui, mas porque poderá iniciar-se no seu seio uma desconfiança e enorme desorganização.

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