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Quem não gosta de um bocadinho de emoção? O FC Porto e o Liverpool adoram-na: no (des)controlo do espaço, na pressão e nas transições

Logótipo de TribunaTribuna 14/02/2018 Tiago Estêvão, analista de futebol

Se preparar a receção ao Liverpool já seria um processo de dificuldade elevada por si só, as várias ausências do lado do FC Porto acrescentam várias camadas de complexidade ao mesmo. Nas últimas semanas, o FC Porto tem aprendido a viver sem Danilo, com uma parceria harmoniosa entre Sérgio Oliveira e Herrera a demonstrar a qualidade de ambos. Mas Sérgio Conceição tem sido claro no que toca à maleabilidade do seu plantel desde o início de temporada e, esta noite, no Dragão, não será diferente.

O treinador português tem vindo a adaptar o seu onze e a abordagem do mesmo consoante o adversário e a competição – na Champions League tem sido Sérgio Oliveira o homem a equilibrar o meio-campo, mas, com a sua presença já garantida, as restantes opções passam por Reyes, Óliver... ou simplesmente manter o 4-4-2 “do campeonato”.

Não prevejo um jogo de controlo por parte do FC Porto – nem prevejo que seja essa a vontade do seu treinador – logo, num cenário de titularidade de Óliver, o espanhol provavelmente pouco conseguirá fazer trespassar as suas melhores características para o jogo. A subida de Reyes para o meio-campo seria, a meu ver, a situação mais provável… se mais nenhuma ausência afetasse as escolhas. Marcano está de volta à defesa, mas Felipe estará ausente devido à acumulação de cartões durante a fase de grupos.

Tal quer dizer que, para o mexicano render Danilo, Yordan Osorio, reforço proveniente do Tondela, teria de se estrear com a camisola azul-e-branca. Situação de todo improvável, até porque não foi testada ainda no terreno de jogo de forma oficial. Ao manter o 4-4-2 habitual, abrem-se ainda portas a uma eventual titularidade de Maxi Pereira, solidificando o lado direito dos dragões com Ricardo – algo já testado no campeonato e na visita à Turquia. Esta poderá ser uma opção particularmente interessante no contexto desta noite, já que o lateral esquerdo do Liverpool, seja Alberto Moreno ou Robertson, é sempre o que tem maior propensão ofensiva.

Mais à frente no terreno, Soares irá continuar a render Aboubakar. Com dois golos e uma excelente exibição frente ao Chaves, motivação não irá faltar ao brasileiro. A sua inclusão não irá alterar drasticamente a forma de jogar da equipa e até lhe oferece um alvo de maior qualidade nos duelos aéreos, algo que tende a atormentar os ingleses.

Anthony Dibon/Getty Tribuna Soares, avançado do FC Porto 1

Independentemente de como seja resolvido o dilema de seleção no meio campo, o sistema dos portistas tem de estar preparado para lidar com as particularidades dos 'reds' de Jürgen Klopp. Conhecidos pelo seu jogo de pressão alta, têm um objetivo simples: tentar recuperar a posse tão à frente no terreno de jogo quanto seja possível. Fazem-no com um bloco defensivo alto e com muitos jogadores prontos a forçar o erro adversário nas suas saídas curtas.

Os 'reds' de Klopp são ainda uma equipa que está talhada para criar perigo através das suas transições ofensivas. O trio de ataque - Mohamed Salah, Roberto Firmino e Sadio Mané - é rápido e capaz em situações de um para um – seja com o guarda-redes ou com defesas pela frente – e o resto da equipa foca-se em colocá-los na melhor situação possível para explorar o espaço.

Jürgen Klopp, treinador do Liverpool, no Dragão: Quem não gosta de um bocadinho de emoção? O FC Porto e o Liverpool adoram-na: no (des)controlo do espaço, na pressão e nas transições © FRANCISCO LEONG/GETTY Quem não gosta de um bocadinho de emoção? O FC Porto e o Liverpool adoram-na: no (des)controlo do espaço, na pressão e nas transições

De volta ao FC Porto e à sua adaptabilidade, ao longo da temporada, os homens da cidade invicta, em termos defensivos, tanto já se apresentaram pressionantes, como já mostraram qualidade a partir de um bloco mais baixo – será a segunda a abordagem mais apropriada para esta partida. As equipas que mais perigo criam frente ao Liverpool tendem a ser as que optam por ultrapassar a sua zona de pressão por via de passes longos, atacando as costas da defesa subida dos 'reds'. Os homens de Klopp sofrem poucos remates, mas os remates que sofrem tendem a ocorrer perto da sua baliza – indicando mesmo a prevalência dessas situações.

O FC Porto não tem problemas em fazer exatamente isso, tirando vantagem da boa capacidade de passe longo dos seus jogadores mais recuados para lançar a agilidade de Brahimi ou a capacidade atlética de Marega no espaço. Na Liga dos Campeões, tem mesmo sido das suas principais armas ofensivas. De todas as equipas que se qualificaram para os oitavos de final desta competição, o FC Porto é a que retém menos a bola, com uma média de 47.8%, mas a 5ª que mais golos marca (15). Algo que reforça a ideia de que os dragões não precisam de reter o esférico durante muito tempo para criar perigo.

FRANCISCO LEONG Tribuna Waris e Brahimi, duas das 'flechas' do FC Porto 1

Nos dois embates frente ao RB Leipzig, o FC Porto teve um desafio semelhante em muitos pontos ao que vai ter nesta eliminatória. A partida na Alemanha acabou por ser particularmente difícil do ponto de vista português, não devido à pressão dos adversários, mas sim devido aos momentos com bola destes. Muitos problemas foram causados à defesa do FC Porto a partir da capacidade individual de jogadores como Naby Keita conseguirem romper linhas em posse e a partir de combinações em espaços curtos.

No momento do sorteio previ Coutinho a ter essa função de Keita, mas, mesmo sem ele (agora no Barcelona...), o FC Porto tem de atentar nesses momentos sem bola. Tal como as combinações que aqui surgirão muito a partir da fluidez posicional dos médios e avançados do Liverpool, com os movimentos de Roberto Firmino particularmente difíceis de controlar. O controlo dos espaços entre linhas será fundamental neste jogo.

John Powell Tribuna Salah, avançado do Liverpool 1

Fundamental também será uma situação na qual o FC Porto tem clara vantagem neste confronto: as bolas paradas. Nenhuma equipa marca mais na Liga dos Campeões a partir destas situações (6 golos, 47% do seu total) e, tendo em conta que do outro lado estará uma equipa com dificuldades a defender este tipo de lances, poderá estar aqui uma das chaves da eliminatória. A capacidade aérea de Danilo e Felipe vai fazer falta, mas com Soares, Reyes, Marcano e Marega, os portistas têm alvos mais do que suficientes – além de duas opções distintas para a cobrança, com Alex Telles e Sérgio Oliveira.

Na defesa do Liverpool, a chegada do reforço Van Dijk oferece um acrescento de segurança defensiva, mas os problemas defensivos da equipa de Klopp são sistemáticos, não individuais. E acabam por encaixar perfeitamente em alguns dos pontos mais fortes do ataque do FC Porto: transições ofensivas rápidas e bolas paradas.

A qualidade individual deste plantel do Liverpool, principalmente de um ponto de vista ofensivo, é imensa – entre Champions e Premier League, só o seu trio de ataque tem 54 golos marcados, mais um do que o FC Porto tem na Liga NOS até ao momento. A qualquer momento podem resolver. Mas a verdade é que, no que toca ao confronto tático, Sérgio Conceição tem tudo para encarar este desafio com bons olhos.

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