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Uma nova era no reino do Leão

Logótipo de Zerozero.pt Zerozero.pt 10/08/2018 Hugo Filipe Martins com Igor Gonçalves
ANÁLISE PRÉ-ÉPOCA COM VÍDEO: Uma nova era no reino do Leão © Carlos Alberto Costa ANÁLISE PRÉ-ÉPOCA COM VÍDEO: Uma nova era no reino do Leão

O final da época passada deixava antever tempos complicados em Alvalade. A saída forçada de alguns jogadores, a troca de treinador e as mudanças na direção leonina, que ainda estão por definir, dificultaram o trabalho a José Peseiro nesta pré-temporada, que foi, também ela, bastante confusa. Perante adversários de nível inferior-baixo - o Marselha foi exceção -, os leões demonstraram que ainda há muito para trabalhar, mas nem tudo está mal no Reino do Leão.

Com o evoluir da pré-temporada e com o regresso de jogadores preponderantes, a equipa leonina foi melhorando de jogo para jogo, demonstrando bons processos, especialmente no capítulo ofensivo, onde se notam diferenças quando comparando com o futebol praticado nas épocas em que Jesus era o treinador. Ainda assim, há muito trabalho a fazer. Primeiro porque ainda falta qualidade e depois porque Peseiro ainda espera por reforços, que levarão, forçosamente, tempo a assimilar as ideias do novo treinador.

Rotinas vão aparecendo, mas este ainda é um leãozinho

Comecemos por analisar aquilo que foi a pré-época leonina em termos de resultados e futebol. Com Peseiro, o Sporting deixou definitivamente o 4x4x2 e passou a jogar num sistema de 4x2x3x1, que poderá ser alvo de mudança num futuro próximo, como adiantou o treinador sportinguista, mas já lá vamos. 

Como já referimos, o calendário leonino foi algo confuso nesta fase, com jogos cancelados à última da hora e outros jogados à porta fechada. A melhor análise que se pode fazer ao futebol da equipa de Peseiro passa pela fase inicial da pré-temporada, no estágio na Suíça, e pela etapa final, com dois jogos em Alvalade.

Por terras helvéticas, os leões somaram uma derrota e três triunfos, dois deles diante de formações modestas. O jogo com o Nice, que elevou o nível de exigência, foi aquele em que a equipa verde e branca deu mais sinais positivos. Os erros da derrota com o Neuchâtel foram corrigidos, especialmente no controlo da profundidade, que tinha sido um dos pecados da equipa de Peseiro. A entrada de Mathieu no onze contribuiu imenso para a maior tranquilidade defensiva dos leões, que aproveitam o facto de Viviano ser um guarda-redes atento ao controlo da profundidade para jogar com a defesa bem subida e pressionar em zonas altas do terreno.

Nos momentos ofensivos houve dois jogadores a sobressaírem na parte inicial da pré-época. Matheus Pereira e Raphinha foram os elementos de maior ênfase na Suíça e mostraram, em parte, aquilo que Peseiro quer dos extremos leoninos - o assumir do um para um e o jogo interior para servir os avançados ou para aparecer em zonas de finalização, povoando assim a área adversária com mais elementos.

O facto de ainda haver nomes a riscar (e a contratar) fez com que algumas ideias tenham ficado por assimilar, ou por mostrar, mas o Sporting começou, a espaços, a apresentar um fio de jogo agradável, numa altura em que ainda não havia Bruno Fernandes, Bas Dost ou Battaglia. O regresso dos três deu-se mais tarde e a influência do primeiro a voltar, Bruno Fernandes, foi imediatamente visível no jogo de apresentação com o Marselha. Tal como aconteceu com Jesus, o médio português vai ter um papel fundamental na equipa leonina, provavelmente ainda mais do que teve com o antigo treinador.

O último teste de pré-época ficou marcado pelo desaire sportinguista no Troféu Cinco Violinos, mas Peseiro teve alguma razão para gostar daquilo que a equipa fez em campo. Sem ser brilhante, a verdade é que o Sporting voltou a criar imensas ocasiões de golo, faltando acertar ainda com a finalização. Os resultados da pré-época, especialmente as derrotas com Estoril (1x2), Mafra (1x2) e Neuchâtel (2x1) são motivos de preocupação, mas o futebol apresentado esteve longe de ser pobre. Falta ganhar entrosamento e, claro, chegarem alguns reforços, porque faltam algumas soluções a este leão.

Reforços precisam-se, do meio-campo para a frente

O mercado de transferências do Sporting fez-se muito de regressos. Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia foram as contratações mais importantes da equipa verde e branca, sendo que os três deverão assumir a titularidade em mais de 90 por cento dos jogos, mas ainda faltam chegar alternativas.

Peseiro tem insistido na ideia de que os leões precisam de mais-valias e a verdade é que o Sporting, apesar de ter bastantes jogadores, tem uma equipa com falta de profundidade. Vejamos a situação em cada um dos setores. 

Na baliza, Viviano vem para substituir Rui Patrício. O italiano ainda causa alguma desconfiança aos adeptos leoninos e os níveis físicos não são os melhores, como o próprio admitiu, mas a experiência e qualidade estão lá e por isso o ex-Sampdoria deverá assumir a titularidade. A este nível, Peseiro encontrou uma boa alternativa com a chegada de Renan. O brasileiro é superior a Salin, especialmente no jogo de pés, e dá garantias, sendo que, com o tempo, poderá mesmo ser uma ameaça para Viviano.

A defesa é o setor que deixará Peseiro mais tranquilo, ainda que o trabalho defensivo, especialmente nas transições (muitas vezes há demasiado espaço entre a zona defensiva e os outros setores) necessite de muitas afinações, porque as ideias são diferentes das de Jesus. Ideias à parte, este é um setor que sofreu poucas mexidas. A lateral esquerda acaba por ser, uma vez mais, a principal lacuna da defensiva leonina. Coentrão regressou ao Real Madrid e Jefferson voltou à base. O brasileiro tem tudo para assumir a titularidade, mas há desconfiança sobre Lumor. Quanto às restantes posições, Coates e Mathieu prometem ser uma dupla fortíssima enquanto Ristovski, na direita, vai assumir a titularidade com a forte concorrência de Bruno Gaspar.

O setor intermediário subiu um patamar com as chegadas de Bruno Fernandes e Battaglia, mas aquilo que o Sporting tem em número parece faltar em qualidade. Petrovic continua a mostrar que não é uma alternativa para a posição de médio defensivo e Misic ainda está à procura do seu espaço, apesar das boas indicações dadas na pré-temporada, assim como Wendel, jogador no qual os adeptos do Sporting depositam grandes expectativas. A saída de Geraldes foi algo incompreendida, mas é nas posições mais recuadas do meio-campo que estão as principais falhas. Peseiro já afirmou que, num futuro próximo, o Sporting vai deixar de jogar com dois médios de contenção, o que indica que irão chegar reforços para este setor, que precisa de alguém capaz de ajudar Bruno Fernandes no momento ofensivo.

O ataque leonino, apesar da saída de Gelson Martins, está bem apetrechado nas alas, mais do que na época passada. Matheus Pereira foi, talvez, o elemento mais da pré-época leonina e a reta final do empréstimo ao Desportivo de Chaves mostrou que o brasileiro pode muito bem assumir um papel importante neste Sporting, que vai apostar no jogo interior, onde o jovem de 22 anos é muito forte. As contratações de Raphinha e Nani dão muitas soluções a Peseiro, que ainda tem Acuña. O argentino, um dos mais caros da história do clube, parece não encaixar na forma de jogar do novo treinador (a tal aposta no futebol por dentro), que até já o testou a meio-campo.

Deixamos para o fim aquilo que realmente faz a diferença no mundo do futebol, os golos. Bas Dost é quase sinónimo disso mesmo, mas não há ninguém no plantel capaz de se aproximar dos números do holandês. Doumbia e Castaignos são elementos dispensáveis e Montero, apesar da qualidade técnica, tem dificuldades a jogar como ponta de lança fixo. Esta é mesmo a posição onde o Sporting precisa de reforços com maior urgência. Aliás, isso é visível nos números. Apenas diante do Lancy e do Stade-Lausanne, equipas de escalões secundários, o Sporting marcou mais do que um golo.

O jogo com o Moreirense está aí e o Sporting arranca uma nova era, ainda com muitas indefinições pelo meio. A equipa de Alvalade parte atrás dos seus rivais, jogadores e treinadores já o admitiram, algo que até pode ajudar a aliviar a pressão e causar alguma surpresa, mas também é preciso que Peseiro receba algumas prendas...

Onze-tipo na pré-época

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