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Mourinho é líder da Premier League porque uma forma de jogar ganhou a outra, e pronto

Logótipo de Tribuna Tribuna há 4 dias Diogo Pombo

O Tottenham treinado pelo português ganhou por 2-0 ao Manchester City de Pep Guardiola e subiu à liderança da Premier League. Seis anos depois, o clube de Londres volta ao primeiro lugar do campeonato inglês com uma vitória em que acertou dois remates na baliza e acabou com 33% de posse de bola. Uma equipa perdeu contra outra, mas não foi uma derrota do jogo bonito para o jogo feio

© Neil Hall - by Pool/Getty Images

- O que é jogar bem?

Uma resposta, só uma, não existe, porque há uma resposta em cada olhar e cabeça que veem um jogo e se a questão fosse sobre a boniteza, mais lógica deste tipo teríamos de injetar. A beleza está nos olhos de quem a vê, a frase é feita e conhecida, mais ainda se dita na língua mais ouvida e consumida, por definição, em filmes, séries e tudo mais. Em inglês, o idioma que se fala na Premier League, o campeonato mais mediático, espetacular e talentoso por metro quadrado que há, muito pelos nomes que tem.

Este sábado, dois desses nomes encontraram-se pela 24.ª vez e mais uma vez. Eles que nem jogam, mas trabalham e decidem quem e como se joga. Esse "como" sempre foi o que mais os separou em cada ocasião que as suas equipas colidiram no campo e a história foi ficando antiga e o passado atrelado pesado, sobretudo, desde o momento em que um desses treinadores foi para Espanha.

José Mourinho acicatou o Real Madrid e fez a sua parte para incendiar a rivalidade com o Barcelona, de onde Pep Guardiola sairia desgastado, cansado e delapidado pela erosão. As vidas de ambos deram voltas até acabarem em Inglaterra, os dois mais serenos e pacificados em relação às suas versões espanholas que, a par de outras sensações, lhes começaram a colar duas em particular - o português ficou com a aura do futebol defensivo, enfadonho, pouco criativo e pragmático (seja lá isso o que for); o espanhol com a representação do jogo de posição, do querer ter a bola a toda a hora, do jogá-la com poucos toques e da vertigem atacante.

Não foram as únicas colagens: Mourinho ficou com a etiqueta do futebol feio e Guardiola com a do jogo atrativo. Quando o jogar bem ou mal, o jogo bonito ou feio, está nos olhos de quem o vê. São formas, não são verdades absolutas.

© Tottenham Hotspur FC via Getty Images

Repetindo, houve mais um reencontro entre José e Pep este sábado. O Tottenham treinado pelo português ganhou por 2-0 ao Manchester City do espanhol e a vitória teve um efeito prático relevante: o clube londrino saltou para a liderança da Premier League onde não dormia uma noite desde 2014. Mas, de imediato, polarizou-se o que aconteceu.

O Tottenham só acertou dois remates na baliza, acabou com 33% de posse de bola e cimentou-se na compacta organização defensiva, nas saídas rápidas para o ataque e nas transições ofensivas com movimentos certeiros e trabalhados. O Manchester City quis manejar o jogo com a bola, foi parco em ideias com ela e permeável nas vezes em que a perdeu e teve de lidar com um adversário a querer usá-la rápido.

Fiando-nos nos estereótipos colados a ambos, escrever-se-ia que o feio ganhou ao bonito, como se a um jornal e a um jornalista coubesse vaticinar.

Há grandeza universalmente elogiável em De Bruyne, Agüero, Sterling, Bernardo Silva ou Gündongan, e em Kane, Son, Lo Celso, Højbjerg ou Ndombélé, mas cada olho tem um olhar e atrás de todos eles está uma noção particular do que é jogar bem, ou mal. O Manchester City perdeu com o Tottenham e não foi uma derrota do jogo bonito para o jogo feio. O que aconteceu foi a vitória de uma forma de jogar futebol contra outra.

Foi, também, a primeira vez que José Mourinho ganhou dois encontros seguidos a Pep Guardiola, o que quer dizer nada para lá das consequência imediatas que provoca. A equipa londrina retornou ao topo da liga inglesa a que não chegava há seis anos e o treinador português também regressou com ela, mas sem uma vitória do bom contra o mau, do bonito contra o feio ou do ultrapassado contra o vanguardista.

Há preferências de como se gosta de ver e desfrutar do futebol e cada pessoa terá a sua, quando muita e muita gente parece apreciar certos moldes de futebol ou uma mesma forma de jogar, tende-se a tê-los como arquétipos do que é bom e bonito, mas, se é para responder uma pergunta que com parto forçado para a objetividade quando tudo isto é subjetivo, então a resposta deveria ser apenas uma:

- Não sei.

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