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O médico da Dinamarca que salvou Eriksen: “Os remédios para o coração só duram dois meses. Por sorte, o que tinha no meu saco estava em dia”

Logótipo de Tribuna Tribuna há 6 dias Diogo Pombo

No meio do fado que quase lhe levava a vida, Christian Eriksen "teve sorte" por ter caído inanimado onde caiu, no Parken, estádio em Copenhaga onde se jogou o Dinamarca-Finlândia do Europeu e que "estava preparado e com tudo organizado". Morten Boesen, o médico da seleção dinamarquesa, falou num evento da Liga de Clubes e confirmou que nos jogos entre seleções "está tudo bem", mas o cenário difere "nas divisões inferiores e no futebol amador"

Morten Boesen, médico da seleção da Dinamarca e do Copenhaga, aqui a conversar com Kasper Hjulmand, o selecionador do país © Lars Ronbog/Getty Morten Boesen, médico da seleção da Dinamarca e do Copenhaga, aqui a conversar com Kasper Hjulmand, o selecionador do país

Foram segundos de falência de um homem em direto para o mundo ver, Christian Eriksen já sucumbia e tombava quando a bola lhe foi lançada, ele já era um corpo cadente ficar estendido sobre a relva em Copenhaga, a meio do Dinamarca-Finlândia. A pronta urgência nos gestos dos jogadores chamou por ajuda, qualquer ajuda, e a primeira ajuda seria sempre a de Morten Boelsen.

O médico da seleção dinamarquesa saiu disparado do banco de suplentes para o acudir. O jogador estavam em paragem cardiorrespiratória e o que dentro do seu organismo correu mal poderia ter corrido pior, não fosse o pronto-socorro de Boesen e o quão se preveniu antes, para o caso de uma emergência o urgir. Porque, entre o colocar o futebolista na posição corporal correta, as manobras de reanimação a adotar e o desfibrilador a usar, há coisas que, seja um jogo da fase de grupos ou uma partida de divisões inferiores, devem estar definidas no “standard básico”.

Uma delas é o recheio da mala que todo o médico encarregue de acompanhar uma equipa de futebol no campo leva consigo e o que consta lá dentro. “Os medicamentos cardíacos apenas dura dois meses. Por sorte, o que estava na minha mala era novo, tinha-o comprado para o Europeu e fiquei muito feliz por isso”, contou o Morten Boesen, de longe e por vídeochamada, esta quarta-feira, no webinar organizado pela Liga de Clubes de Futebol Profissional.

Recordando o momento em que Eriksen caiu inanimado durante o jogo, Boesen elogiou “os protocolos e procedimentos” então em vigor “nos estádios” do Campeonato da Europa. “A questão é onde colocamos o standard para ser utilizado. Com o que temos agora, especialmente sobre paragens cardiorrespiratórias, penso que estamos preparados. Se for seguido, está tudo bem”, resumiu o médico, que também trabalha no Copenhaga, clube com mais títulos de campeão nacional na Dinamarca.

Falando sobre Christian Eriksen, sem competir há quase quatro meses, admitiu no webinar "Thinking Football" que o jogador, no meio do fado que lhe ameaçou levar a vida, “teve sorte” por estar “num estádio que estava preparado e tinha tudo organizado”. No Parken, precisamente onde joga o clube de Boesen, também “o médico do estádio” estava “atualizado no treino cardíaco e em procedimentos de emergência”, já que existem “cursos frequentes para manter toda a gente atualizada”.

O médico da seleção da Dinamarca, segunda na Europa (depois da Alemanha) a garantir o apuramento para o Mundial — com oito vitórias em tantos jogos e sem golos sofridos —, admitiu que em jogos de seleções existem, “pelo menos”, os “desfibriladores, as macas e os medicamentos” estão nos estádios, “além das ambulâncias”, mas, “se episódios destes acontecem a nível amador ou em divisões inferiores”, um médico tem de “estar preparado”. No Europeu, ressalvou, a atenção era tanta e “o protocolo tão detalhado, que não havia problemas em lado nenhum”.

Sobre o médio que fintou a morte no Europeu e não mais apareceu em campo, Morten Boesen apenas desvendou que “há muita coisa a acontecer”, dizendo que “não [pode] discutir os detalhes”. O médio vai “esperar que ele fale primeiro”, pois “cabe inteiramente ao Christian e à família” averiguarem se o jogador “está confortável com a segurança que pretende”.

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