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Óbito/Horácio Manuel: Corpo do ator em câmara-ardente na terça-feira em Cascais

Logótipo de O Jogo O Jogo 24/07/2017 Administrator

O corpo do ator Horácio Manuel vai estar em câmara-ardente na terça-feira, no Centro Funerário de Cascais, sendo cremado na quarta-feira, às 18:00, disse hoje à Lusa fonte do Teatro O Bando, a que pertenceu desde 1975.

O corpo de Horácio Manuel vai estar no Centro Funerário de Cascais, entre as 16:00 de terça-feira e as 00:00, de quarta-feira.

Conhecido pelo trabalho em televisão, em séries como "Conta-me Como Foi" (2008), "Cidade Despida" (2010), "Liberdade 21" (2011) ou telenovelas como "A única mulher" (2015), marcou igualmente o cinema, com os desempenhos em "A Raiz do Coração" (2000), de Paulo Rocha, "Adriana" (2004), de Margarida Gil, ou "A Outra Margem" (2007), de Luís Filipe Rocha.

Horácio Manuel, porém, era sobretudo um ator de teatro, com mais de 40 anos de trabalho na companhia O Bando, com colaborações no Nacional São João, no Teatro Extremo ou na Cornucópia, como intérprete de Luigi Pirandello, David Mamet ou Hélia Correia, e também como autor de peças como "Aton" ou "É a guerra, é a guerra", história de sobrevivência, com as invasões francesas em fundo.

Horácio Manuel nasceu em Lisboa, em 1954, refugiou-se em Paris, no início da década de 1970, em plena ditadura, fixou residência na Alemanha, de onde só voltou após o 25 de Abril de 1974, como indica a base de dados "Teatro em Portugal", da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Esta plataforma destaca os estudos de interpretação que Horácio Manuel fez no Delmetscher Institut de Munique e o curso de formação de atores, pelo Old Vic, em Londres. Trabalhou igualmente com o dramaturgo e encenador brasileiro Augusto Boal, com quem estudou técnica de ator, dramaturgia e encenação.

O seu percurso apresenta mais de 60 peças, quase todas com O Bando, de João Brites, desde 1975, que podem ser seguidas no próprio 'site' da companhia.

Aqui fez criações coletivas iniciais como "O ovo", "A máquina" ou "João Triste", resgate de textos de tradição oral como "Cenas da vida de El-Rei Ramiro", "Afonso Henriques" e "Nós de um segredo", ou versões de clássicos como os "Sermões" de padre António Vieira, ou o teatro de António José da Silva.

Levou a palco autores como Cândido Ferreira ("Caras ou coroas"), Sophia de Mello Breyner Andresen ("Viagem"), Irene Lisboa ("Mão cheia de nada"), Hélia Correia ("Montedemo"), Eduarda Dionísio ("Carcaças"), Mário de Carvalho ("Estilhaços"), José Saramago ("Ensaio sobre a cegueira") ou Gonçalo M. Tavares ("Jerusalém").

A adaptação de "Bichos", de Miguel Torga, foi um dos sucessos de O Bando, e também de Horácio Manuel, na entrada da companhia na década de 1990 - universo a que voltaria mais tarde, para fazer "Miúra em fuga", sozinho em palco, e que marcaria também uma das suas últimas interpretações, em "Dos Bichos", encenação levada ao Convento São Francisco, em Coimbra, no ano passado.

Horácio Manuel fez igualmente "A morte do palhaço", sobre Raul Brandão, "Gente singular", a partir de Manuel Teixeira-Gomes, "Photocena", de Teresa Rita Lopes, "Os anjos", de Teolinda Gersão, "Os morcegos", de Jaime Rocha, "Borda d'Água", com poemas inéditos de António Ramos Rosa.

O italiano Luigi Pirandello ("Esta noite improvisa-se"), o irlandês John Milligton Synge ("A fonte dos santos"), Ad de Bont ("Mirad, um Rapaz da Bósnia"), a francesa Marie Darrieussecq ("A porca") são outros dramaturgos que trabalhou.

Interpretou Bernard-Marie Koltès ("Combate de negro e cães"), no Teatro Nacional São João, no Porto, Shakespeare ("Tanto amor desperdiçado"), no D. Maria II, em Lisboa, Dario Fo ("Não se ganha, não se paga"), no Teatro da Trindade.

Teve colaborações pontuais com o Teatro da Cornucópia, com o encenador Emmanuel Demarcy-Mota, com a brasileira Companhia das Artes, entre outros mais, sempre em teatro, sempre em palco.

Conhecida a morte de Horácio Manuel, a Academia Portuguesa de Cinema publicou, na sua página oficial no Facebook, um lamento por aquele que considera "nome maior dos palcos portugueses".

Também o Ministério da Cultura emitiu uma nota de pesar pela morte do ator, lembrando que foi "sempre um ativista empenhado num Teatro simultaneamente popular e itinerante".

O encenador Jorge Silva Melo, que fundou e dirige os Artistas Unidos, escreveu: "Foi, pela certa, um dos melhores atores portugueses daquela sua geração". "E temos de dizer 'O Horácio do Bando morreu'".

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