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10 de Junho no Porto foi com Deco e Costinha no Campo da Ervilha

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/06/2017 João Cardoso

A poucos metros do palco das comemorações oficiais do 10 de Junho, glórias do FC Porto demasiado frescas na memória para se lhes chamar antigas vestiram a camisola por uma causa solidária. Juntaram-se para ajudar um menino de cinco anos a fintar o cancro. Tiaguinho é nome de campeão.

Que importa o popularíssimo presidente Marcelo a discursar, ali a umas poucas centenas de metros? Que importa os F16 e companhia a sobrevoar as comemorações oficiais do 10 de Junho, no Porto? Na distinta avenida Marechal Gomes da Costa, os que páram a pedir a ajuda do varredor para se orientarem nas ruas condicionadas querem é saber como chegar ao Campo da Ervilha, onde estão prometidos Deco e companhia para jogar pelo Tiaguinho. "Já é a quinta pessoa que me pergunta", ri o cantoneiro, solícito a indicar o mapa da casa do Foz, onde desaguaram, este sábado, antigas glórias do FC Porto e da Selecção Nacional, além de artistas de outros campeonatos, num jogo de futebol destinado a ajudar uma criança de cinco anos na luta contra um tumor raro. A esperança de fintar uma recidiva mora longe, do outro lado do mar, nos Estados Unidos da América, e custa uma pequena fortuna que a comunidade está empenhada em juntar.

A ideia do jogo nasceu de uma Susana Cunha Guimarães, jornalista no Porto Canal, e desencadeou uma onda de solidariedade: o Foz ofereceu logo a casa, como faz sempre que há uma boa causa em jogo; apareceram voluntários para a organização, a animação ao intervalo. Até nem faltou uma equipa de apanha-bolas e, claro, as estrelas. É possível resistir à ideia de ver Deco e Costinha juntos, de novo? Com João Pinto, Jaime Magalhães, Bandeirinha, Paulinho Santos, Folha, Cândido Costa. As antigas glórias do FC Porto e da Selecção tiveram outros ex-companheiros de profissão ao lado, além de gente de outros futebóis, como o poderoso Paulo Azevedo, da Sonae, ou o manequim Ricardo Guedes.

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Bem disposto, jogado nos limites do fôlego, com o calor de Junho como adversário, o jogo ofereceu uns toques de Deco, mas não a hipótese de o rever ao lado de Costinha, com quem deu corpo a um meio-campo de sonho (Maniche completava a fórmula do sucesso). Ficaram em campos opostos, com o novo treinador do Nacional a controlar de longe - aquela voz de comando continua intacta - a alinhar com João Pinto. O lateral-direito, capitão de Viena e atual adjunto portista, ainda virou um adversário e arrancou uma portuense interjeição de dor a um outro, antes de abandonar o relvado, feliz como sempre o futebol há-de fazê-lo: "Depois de 15 ou 16 anos no futebol de alta competição, mal de mim seria que não me divertisse em momentos destes. Gosto de me divertir e de ajudar."

Miúdos e graúdos ajudaram o Tiaguinho nesse campeonato que há-de levá-lo aos Estados Unidos e ainda levaram uma colecção de fotografias e autógrafos de alguns dos melhores jogadores de sempre do FC Porto e da Selecção Nacional, hoje rendidos ao "talento" da versão do Portugal de Fernando Santos, campeão da Europa e de todos os sonhos. "Portugal tem das melhores gerações da história e Fernando Santos está a fazer um trabalho fantástico", resumiu Deco, o mágico 10 das Antas e do Dragão, o maior até na humildade com que falou de Cristiano Ronaldo, "um dos maiores jogadores da História, com uma capacidade de decidir os jogos impressionante", rematou, com fé na Taça das Confederações que se avizinha, e também com uma dor numa virilha, porque até as lendas como Deco são de carne e osso - a bola é que não liga a isso e ainda se enamora dos pés dele.

No fim da manhã à conquista de uma esperança para o Tiaguinho, a despedida do Campo da Ervilha deu de caras com o 10 de Junho oficial - o fim de festa conduziu o trânsito ao caos lento que não se deseja nos feriados, mas, incomoda menos, quando se leva as estrelas nos olhos. Marcelo partiu para o Brasil. O Tiaguinho ficou mais perto de atravessar o mar.

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