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A fotografia de arquitetura de Fernando Guerra vista a partir do interior, no CCB

Logótipo de O Jogo O Jogo 11/07/2017 Administrator

A exposição sobre o trabalho do fotógrafo Fernando Guerra, na arquitetura, é inaugurada hoje no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, explora o ponto de vista do autor, dos arquitetos para quem trabalhou, e a visão da crítica.

"Fernando Guerra - Raio X de uma prática fotográfica" expõe de 2500 a 3000 imagens do autor, formado em arquitetura, e conhecido pelo trabalho nesta área.

A mesa central da mostra oferece uma viagem cronológica pela obra de Fernando Guerra, explorando o seu percurso e a transformação tecnológica dos próprios instrumentos de trabalho.

A transição entre os equipamentos permite acompanhar a passagem das máquinas analógicas às digitais, da máquina Leica que o apresentou à fotografia, aos pequenos 'drones' que usa hoje em alguns trabalhos.

As fotografias apresentadas vão além da arquitetura, com registos das viagens de Fernando Guerra com o arquiteto Álvaro Siza Vieira e aquilo a que o autor chama "entre-reportagens", trabalhos de fotografia fora do âmbito da arquitetura.

"Se antigamente se fotografava arquitetura primeiro para os arquitetos, aquilo que eu comecei a fazer foi uma fotografia que agradou não só à classe", explicou Fernando Guerra, na apresentação da mostra, hoje, em Lisboa.

Do outro lado da mesa, há uma organização cronológica das fotografias disponíveis no "Últimas reportagens", plataforma 'online' do fotógrafo. Os 'links' para os trabalhos a que elas pertencem estão incluídos junto de cada fotografia.

Luís Santiago Batista, curador da exposição, destaca o recurso a uma "multiplicidade de plataformas".

A exposição inclui cinco ecrãs com projeções fotográficas. O trabalho do arquiteto Siza Vieira é o centro do primeiro, estando o resto das imagens expostas em ecrãs com os temas "exterior", "interior", "noite", "território" e "pormenor".

O curador da exposição diz que é o ponto de vista autoral o dominante, tanto nas coleções dos ecrãs como no conjunto de nove imagens selecionadas pelo próprio Fernando Guerra.

Os 'headphones' da área permitem complementar as fotografias com a história e os motivos que levaram o autor a destacá-las. Santiago Batista salienta que estas não são necessariamente as melhores imagens, mas sim as que "mudaram alguma coisa", que serve para "perceber como a imagem foi feita, como ela aconteceu".

"Não são as nove fotografias da minha vida", confirma Fernando Guerra, mas estão todas lá por um motivo.

O curador da exposição revela ainda que se quis complementar o ponto de vista do autor com outras interpretações. Foi a partir dessa ideia que se pediu a 50 dos clientes e arquitetos, para quem Fernando Guerra já fotografou, para escolherem duas imagens cada. O resultado vai estar exposto, e o fotógrafo avisa que as escolhas "geralmente não são coincidentes".

Fernando Guerra explica que os clientes escolhem as imagens em que o foco é a arquitetura do seu trabalho e que, para ele, uma boa fotografia não tem de se concentrar em mostrar o edifício.

"O que eu quero mostrar é o que eu gosto, não tem necessariamente de mostrar a obra", justifica o fotógrafo.

A exposição inclui também o ponto de vista dos críticos, com uma série de convidados de diferentes áreas. Foi-lhes pedido que partissem do trabalho de Fernando Guerra para construir um discurso ou uma narrativa. O resultado é exibido em ecrãs espalhados pela sala, e vai desde ficções a ensaios sobre a relação entre a arquitetura e a fotografia.

Álvaro Domingues, geógrafo, David Santos, curador e subdiretor-geral do Património Cultural, Jorge Figueira, arquiteto, Pedro Gadanho, arquiteto e diretor do Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia, e Susana Ventura, teórica da arquitetura, foram os críticos convidados a explorar o trabalho de Fernando Guerra.

Os carros espalhados pela Garagem Sul evocam a ligação entre os arquitetos e os automóveis, e foram restaurados pelo próprio Fernando Guerra. A paixão do fotógrafo pela reabilitação de carros é explorada na exposição, e também já se transformou em trabalho.

As fotografias de automóveis divulgadas no 'instagram' conseguiram-lhe um convite da Porsche. Em agosto, vai chegar a vez de fotografar para a Renault.

"Começou por uma paixão, que é um bocadinho a base de tudo o que está aqui", reflete Fernando Guerra.

A diretora de comunicação e marketing do CCB, Madalena Reis, salienta que esta é a primeira vez que há na Garagem Sul, dedicada à arquitetura, "uma aproximação tão evidente ao universo da fotografia".

Fernando Guerra tem acompanhado a produção arquitetónica contemporânea, e as suas reportagens fotográficas já foram divulgadas em muitas publicações portuguesas e internacionais, sendo difundidas a uma escala global através da plataforma virtual "Últimas Reportagens", que constitui "um ponto de vista privilegiado sobre a arquitetura de hoje".

O fotógrafo tem trabalhado com arquitetos como Álvaro Siza Vieira, Manuel Mateus, Manuel Graça Dias, Gonçalo Byrne e João Luís Carrilho da Graça, Márcio Kogan, Isay Weifeld, Arthur Casas, Pei Cobb Freed. Era também um colaborador regular da arquiteta de origem iraquiana Zaha Hadid, que morreu em 2016.

"Fernando Guerra - Raio X de uma prática fotográfica" é inaugurada hoje, às 19:00, e vai estar na Garagem Sul do CCB até dia 07 de outubro.

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