Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Amnistia denuncia "clima de medo" no Ruanda antes das presidenciais

Logótipo de O Jogo O Jogo 07/07/2017 Administrator

As eleições presidenciais no Ruanda, agendadas para agosto, decorrerão num "clima de medo" após duas décadas de ataques, alguns mortais, contra a oposição, os media e os defensores dos direitos humanos, acusou hoje a Amnistia Internacional (AI).

A organização de defesa dos direitos humanos, que divulgou hoje o relatório "Ruanda. Um país atormentado por ataques, atos de repressão e assassínios há 20 anos vai eleger um novo presidente", apelou a reformas políticas sérias no país.

"O governo ruandês deveria começar por impedir as restrições e assédio dos candidatos da oposição e seus apoiantes nas próximas eleições em agosto de 2017. Deve comprometer-se a permitir que os ruandeses usufruam plenamente dos seus direitos à liberdade de expressão e associação", afirmou o diretor regional da AI, Muthoni Wanyeki.

O relatório refere vários casos de atentados à liberdade de expressão e de repressão contra jornalistas, políticos e defensores dos direitos humanos desde 1995, um ano depois da tomado do poder pela Frente Patriótica Ruandesa (FPR), do atual presidente, Paul Kagame.

"Estes são presos, agredidos, obrigados ao exílio ou reduzidos ao silêncio, às vezes mesmo mortos", denuncia a Amnistia.

A organização indica, entre os casos recentes, o assassínio em maio de Jean Damascene Habarugira, membro do partido não reconhecido pelas autoridades das Forças Democráticas Unificadas (FDU), presidido pelo opositor preso Victoire Ingabire, bem como o desaparecimento em 2016 de Illuminée Iragena, também membro deste partido.

Cinco candidatos da oposição, quatro dos quais independentes, anunciaram a sua vontade de enfrentarem a 4 de agosto o presidente cessante, autorizado a disputar um terceiro mandato após uma contestada reforma da Constituição.

Na semana passada, a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) validou a candidatura do presidente Kagame e a de Frank Habineza, líder do Partido Democrático Verde, a única formação da oposição autorizada, rejeitando, por os considerar incompletos, os dossiers dos restantes candidatos independentes.

A CEN deu-lhes cinco dias para regularizarem a situação e deve divulgar hoje a lista definitiva dos candidatos.

A AI recorda que os candidatos Diana Rwigara e Philippe Mpayimana "se queixaram dos seus representantes terem sido vítimas de assédio e manobras de intimidação quando recolhiam as assinaturas necessárias para a validação das candidaturas".

Poucos dias após o anúncio da sua candidatura, começaram a circular nas redes sociais fotografias de Rwigara nua, "o que muitos consideraram como uma campanha de difamação", segundo a Amnistia.

Em 2016, pelo menos três jornalistas foram detidos, depois de terem investigado casos de corrupção ou de possíveis mortes suspeitas, refere o relatório.

Paul Kagame, 59 anos, que lidera o Ruanda desde 2003, tem sido criticado em várias ocasiões pela dureza com que reprimiu críticos e dissidentes.

A ex-rebelião tutsi da FPR derrubou em julho de 1994 o regime hutu extremista da época, acabando com o genocídio -- cerca de 800.000 mortos sobretudo da minoria tutsi -- desencadeado três meses antes.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon