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Angola/Eleições: CNE desvaloriza casos de eleitores colocados a votar a mil quilómetros de casa

Logótipo de O Jogo O Jogo 19/08/2017 Administrator

A porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral angolana desvalorizou hoje os casos de eleitores que foram colocados em cadernos eleitorais por vezes a mil quilómetros das suas residências, alegando que poderão ter cometido erros no pré-registo.

Eleitores de Luanda queixaram-se na quinta-feira à agência Lusa de que foram colocados em cadernos eleitorais a mais de mil quilómetros, enquanto outros ainda desconhecem em que locais deverão votar nas eleições gerais de 23 de agosto por não constarem dos cadernos.

Residente do município de Cacuaco, zona da CAOP-B, em Luanda, Antonica Fernando Gouveia contou à Lusa que, pese embora ter dado pontos de referência aquando do processo de registo eleitoral, com atualização do seu cartão eleitoral, "não sabe até agora onde vai votar".

"Porque nos arredores temos cerca de três assembleias de voto e, pela mensagem que enviámos à Comissão Nacional Eleitoral [CNE], ela dirige-nos para um outro local e mesmo na igreja em que nos foi indicada não encontramos nenhuma assembleia de voto", disse.

À Lusa, a porta-voz da CNE, Júlia Ferreira, atribuiu o problema a erros cometidos pelos eleitores no pré-registo eleitoral que lhes foi pedido e à falta de "toponímia nas ruas".

"Nós temos um grande problema: não temos toponímia nas ruas. [Em muitos casos] não há numero nas residências, não há absolutamente nada. E a pessoa depois pede para ver o endereço no bilhete de identidade. E esse endereço, muitas vezes, já era o da província [de onde saiu]", disse.

Em antecipação às eleições, as autoridades angolanas procederam a uma atualização das residências, para permitir que os cidadãos pudessem votar mais perto da área onde moram.

Este processo incluiu uma geo-referenciação de pontos facilmente identificáveis no mapa, tais como interceções de estradas e de rios, pistas de aeroportos, edifícios proeminentes ou topos de montanha.

Os eleitores forneciam posteriormente um ponto de referência próximo à sua área de residência, que depois seria cruzado com o mapa, para se saber onde e quantas assembleias de voto seriam colocadas nessa área.

"Outra questão provável [para estes erros] é o ponto de referência que o cidadão deu. (...) Este é outro erro, as pessoas não sabem que indicar pontos de referência não é indicar a assembleia de voto. É só para dizer a zona de residência", argumentou Júlia Ferreira.

Outro caso relatado à Lusa foi o de Simões António, 31 anos. Este eleitor revelou que foi transferido de Luanda, onde reside, para votar na província do Namibe, a mais de mil quilómetros de distância, desconhecendo as motivações, uma vez que fez a atualização do cartão de eleitor e a prova de vida na capital angolana.

"De seguida indiquei a zona onde vivo, que é na Funda Escola 8012, mas agora, quando consultei onde votar, a informação que me foi dada é que terei de votar na província do Namibe, município do Tômbwa, Escola João Firmino, mesa n.º 4", explicou.

É uma situação que, acrescentou, o deixa "muito triste" porque o impede de votar.

A Lusa ouviu também eleitores como Adriano João, que reside em Luanda e cujo nome consta dos cadernos eleitorais do Dundo, na província da Lunda Norte, a cerca de 1.100 quilómetros, ou Baptista Domingos e Adriano Sandendo, que continuam sem saber se vão poder votar porque os seus nomes não constam da base de dados. Ambos tinham solicitado uma segunda via dos cartões de eleitor.

A CNE constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto, algumas a serem instaladas em escolas e em tendas por todo o país, com o escrutínio centralizado nas capitais de província e em Luanda, estando 9.317.294 eleitores em condições de votar.

Angola vai realizar eleições gerais a 23 de agosto deste ano, às quais concorrem o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), Partido de Renovação Social (PRS), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e Aliança Patriótica Nacional (APN).

A campanha eleitoral, em curso, termina na segunda-feira, dia 21.

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