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Angola/Eleições: João Lourenço pede que "dinheirinho" guardado fora regresse ao país

Logótipo de O Jogo O Jogo 17/08/2017 Administrator

O cabeça-de-lista do MPLA às eleições de 23 de agosto exortou hoje, num comício no Lobito, os angolanos com "recursos financeiros avultados" no estrangeiro a trazerem o "dinheirinho" para o país, incluindo o proveniente dos "diamantes de sangue".

O candidato do partido no poder em Angola desde 1975 falava para milhares de pessoas no município do Lobito, província de Benguela, de onde é natural, no último ato de massas da campanha eleitoral fora de Luanda.

"Nós sabemos que há muitos cidadãos angolanos que têm importantes somas de dinheiro fora do nosso país e com isso eles estão a financiar a economia de outros países. Se nós apelamos para que o investidor estrangeiro venha investir na nossa terra, no nosso país, por maioria de razão devemos fazer com que os cidadãos angolanos que têm recursos lá fora tragam esses recurso para serem investidos aqui, no seu próprio país", afirmou o candidato.

General na reserva, João Lourenço tenta suceder à liderança de 38 anos de José Eduardo dos Santos como chefe de Estado angolano e ao tocar num dos assuntos mais polémicos do país, a concentração de fortunas fora do país, numa campanha eleitoral marcada pela tónica do combate à corrupção, recebeu o aplauso generalizado da multidão da sua terra natal.

"Estamos a fazer aqui, a partir do Lobito, esse convite público. Para que os nossos compatriotas que têm recursos lá fora, avultados, nós damos garantias de segurança, garantias que eles não vão perder esses valores", disse ainda.

Constantemente interrompido pelos aplausos dos apoiantes, João Lourenço insistiu que quem tem dinheiro fora de Angola, ao repatriá-lo para o país, "não vão perder esses recursos" e antes "vão utiliza-los para o desenvolvimento" nacional.

"Em vez de o utilizaram para o desenvolvimento de outros países. Que sejam patriotas e invistam aqui. Vão ganhar dinheiro na mesma, mas que ganhem aqui. Ao ganharem dinheiro aqui estão a criar emprego", enfatizou.

Contudo, o cabeça-de-lista do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) às eleições de 23 de agosto, candidato à eleição indireta para Presidente da República, afirma tratar-se de um apelo "aos angolanos no geral", sem falar em "bandeiras".

"Não vale a pena pensarem que me estou a referir apenas a cidadãos angolanos de uma cor partidária. Estou-me a referir a todos", apontou.

Ainda assim, a crítica à UNITA - uma vez mais sem qualquer referência direta ao nome do partido - voltou a ecoar no palco do recinto do bairro do Compão, comuna da Canata, onde nasceu, centro do Lobito.

"Não quero mexer no passado para nenhum outro fim, salvo para o que vou dizer a seguir: Se por acaso ainda sobra algum dinheiro nas contas daqueles que geriram as receitas dos chamados de diamantes de sangue, o convite é extensivo a todos: Tragam também esse dinheiro para Angola", disse.

Com Bornito de Sousa, número dois da lista do MPLA, e candidato à eleição indireta para vice-Presidente, no palco, João Lourenço fez questão de dizer que "ninguém" vai "condenar por isso, antes pelo contrário".

"Serão positivamente avaliados pelo gesto de passarem a contribuir mais para o desenvolvimento económico e social do nosso país", apontou.

"Por enquanto é um mero convite, há de chegar o momento em que vamos eventualmente negociar os moldes de se fazer isso", reconheceu ainda.

O encerramento da campanha eleitoral do MPLA está prevista para sábado, nos arredores de Luanda, num comício que além do candidato deverá juntar, pela primeira vez, também o chefe de Estado e líder do MPLA, José Eduardo dos Santos.

Angola vai realizar eleições gerais a 23 de agosto deste ano, às quais concorrem o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), Partido de Renovação Social (PRS), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e Aliança Patriótica Nacional (APN).

A Comissão Nacional Eleitoral de Angola constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto, algumas a serem instaladas em escolas e em tendas por todo o país, com o escrutínio centralizado nas capitais de província e em Luanda, estando 9.317.294 eleitores em condições de votar.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições gerais de 2012.

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