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Ano Europeu do Património Cultural visa agregar europeus numa identidade comum - coordenador

Logótipo de O Jogo O Jogo 21/10/2017 Administrator

O Ano Europeu do Património Cultural (AEPC), em 2018, visa agregar os europeus, numa identidade comum e aberta aos outros, num período de resvalamento da identidade europeia, disse à Lusa Guilherme de Oliveira Martins, coordenador nacional da jornada.

"Esta é uma das preocupações, a defesa de um património comum, e a referência de uma identidade aberta e não fechada", afirmou Oliveira Martins, acrescentando que "a identidade cultural não pode ser concebida de uma forma fechada".

Neste sentido, "a cultura portuguesa, antiga e de várias influências e aberta ao mundo", é um exemplo, disse.

Guilherme de Oliveira Martins, em entrevista à agência Lusa, disse que a questão do "Brexit" - a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), decidida por referendo, que Londres está a negociar com a Comissão Europeia -, é um tema preocupante, realçando que o ano do Património Cultural é celebradao ainda com o Reino Unido no seio da UE.

"O Brexit é um tema que nos preocupa", enfatizou Guilherme de Oliveira Martins, que realçou a "participação, muito interessante e significativa de grande parte da sociedade civil britânica", nas iniciativas do AEPC.

"Há de facto uma preocupação da parte de muitas organizações não-governamentais (ONG) do Reino Unido, em participarem ativamente nesta iniciativa, o que é um sinal muito interessante", disse.

Um sinal que Oliveira Martins afirma refletir "o quanto a sociedade britânica está hoje muito dividida", podendo de certa forma ser uma demonstração de oposição ao "Brexit", e, paralelamente, uma reafirmação do património em comum.

Oliveira Martins realçou que, "desde sempre, no âmbito da defesa e salvaguarda do património cultural, a comunidade científica britânica, teve sempre um grande protagonismo em termos europeus", pelo que o interesse das ONG britânicas é visto como "uma natural atitude que corresponde a uma grande experiência e a uma participação muito antiga".

"Salientei isto porque o Brexit é algo que nos preocupa bastante, até porque a vocação portuguesa é marítima e a saída do Reino Unido é um enfraquecimento da frente marítima e uma reforma da frente continental europeia, e não deixa de se preocupante. É um enfraquecimento para a União Europeia".

Para o ex-ministro da Educação e das Finanças, "a saída do Reino Unido não deixa de ser um fator preocupante e um enfraquecimento para a União Europeia", "sem prejuízo de se poder encontrar respostas que possam minimizar essa situação", acrescentou.

Algo que se reflete no domínio cultural, segundo Guilherme de Oliveira Martins, "uma vez que a comunidade científica do Reino Unido é das mais ativas nesta matéria". Por isso, "é evidente que não podemos de deixar de contar com eles", sentenciou. E "daí ter evocado esta circunstância, que é rigorosamnete verdade, que é a sociedade civil britânica estar envolvida nesta iniciativa", insistiu.

Segundo o portal da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o AEPC, "pela sua escala e pelo contexto de mudanças que se vivem na Europa, será um momento importante para chamar a atenção, não só para as oportunidades que o Património Cultural nos oferece, mas também para os imensos desafios que hoje se nos colocam -- a globalização, o desenvolvimento acelerado da utilização de novas tecnologias de informação e comunicação, as crises de valores e de identidade, as alterações climáticas e os conflitos, as pressões e contradições geradas pela cada vez maior mobilidade humana por todo o planeta".

Questionada pela Lusa, a assessoria de imprensa da DGPC disse que "o papel da DGPC [no AEPC] será essencialmente o de apelar à participação e mobilização da sociedade civil em torno do tema, tal como sucede com os dias internacionais dos Monumentos e Sítios e dos Museus".

Para o orçamento do AEPC, prevê a DGPC candidatar-se a fundos europeus, além de garantir a comparticipação, no âmbito da despesa prevista, com a aprovação da proposta do Orçamento do Estado para 20018. O cargo do coordenador nacional, disse ainda a DGPC, não é remunerado.

Na Proposta de Decisão do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu sobre o AEPC, pode ler-se que este "será uma oportunidade para incentivar os Estados-Membros e as partes interessadas a trabalharem em conjunto para desenvolver uma abordagem mais forte e mais integrada para o património cultural". "Esta abordagem tem como objetivo promover e proteger o património cultural da Europa, maximizar o seu valor intrínseco e societal e o seu contributo para o crescimento e o emprego".

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