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António Guterres visita terça-feira República Centro-Africana, palco de conflitos

Logótipo de O Jogo O Jogo 23/10/2017 Administrator

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, visita esta terça-feira a República Centro-Africana, onde a violência se intensificou nos últimos meses, num momento em que o mandato dos 12.500 capacetes azuis está para ser renovado.

"É um pouco um gesto de solidariedade, o de estar com as forças de manutenção de paz num dos ambientes mais perigosos", explicou o secretário-geral da ONU, numa entrevista à agência francesa France-Presse e à Radio France Internacionale (RFI).

Esta deslocação à República Centro-Africana -- "uma crise dramática, mas uma crise esquecida" -- será a primeira visita de Guterres a uma missão de manutenção de paz desde que assumiu o cargo, a 01 de janeiro.

Surge num contexto financeiro delicado para as Nações Unidas, com uma forte pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, para cortes no orçamento no seio da organização internacional e em certas missões de paz.

Além disso, a visita coincidirá com o "Dia das Nações Unidas", proclamado em 1947, e que marca a entrada em vigor da Carta da ONU.

Para Guterres, o "nível de sofrimento do povo [centro-africano], mas também os dramas sentidos pelos [trabalhadores] humanitários e as forças de manutenção de paz merecem a maior solidariedade e atenção".

O secretário-geral chegará à capital da República Centro-Africana, Bangui, num contexto de segurança tenso: se a capital permanece imune à violência, grupos armados e outras milícias de "autodefesa" retomaram os confrontos em grande escala no sudeste, no centro e no noroeste, matando centenas de civis, invariavelmente alvo dos conflitos.

Doze capacetes azuis morreram naquele país desde o início do ano, nomeadamente em Bangassou (seis mortos em maio), onde Guterres se deslocará.

"Ele pretende prestar-lhes homenagem", disse fonte da ONU em Bangui.

Portugal participa na Missão Integrada Multidimensional de Estabilização das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA) com 160 militares, a maioria comandos, desde o início deste ano.

O conflito na República Centro-Africana eclodiu após o afastamento do poder, em 2013, do então Presidente, François Bozizé, pelas milícias Seleka, que pretendiam defender a minoria muçulmana, desencadeando uma contra-ofensiva dos anti-Balaka, maioritariamente cristãos.

Uma quinzena de grupos armados combate atualmente pelo controlo dos recursos naturais, como diamantes, ouro e pecuária.

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