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Artistas expectantes com novo modelo de apoio às artes pedem mais financiamento

Logótipo de O Jogo O Jogo 11/07/2017 Administrator

Artistas e estruturas artísticas que estiveram hoje, em Lisboa, na primeira apresentação pública do novo modelo de apoio às artes, manifestaram à agência Lusa uma expectativa positiva sobre a proposta, mas pedem mais financiamento para o setor.

"Ficámos contentes com o novo modelo, porque abre mais possibilidades e flexibilidade nas candidaturas de projetos, mas falta saber se haverá orçamento para concretizar esta proposta", apontou Dolores de Matos, da Companhia Fiar, em Palmela, no final da primeira reunião da tutela com os agentes culturais.

O secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, esteve durante a manhã reunido no Teatro Nacional D. Maria II com 282 agentes culturais da área metropolitana de Lisboa, para apresentar o novo modelo de apoio às artes e o resultado de um estudo com base num inquérito ao setor, realizado este ano.

Em novembro do ano passado, Miguel Honrado anunciara, no parlamento, que o modelo de apoio às artes seria revisto em 2017, para entrar em vigor em 2018, e, na segunda-feira, reuniu-se com os sindicatos e outras estruturas representativas do setor, para apresentar a proposta do Governo.

"Parece um trabalho com seriedade para uma abordagem mais completa e de reconhecimento do que está a ser feito em todo o território nacional, nesta área", avaliou Dolores de Matos.

Para a atriz Cecília Sousa, que trabalhou 18 anos no Teatro da Comuna, em Lisboa, e que atualmente se dedica a projetos de formação em teatro, o encontro mostra que a tutela "valoriza o panorama cultural do país".

"Este processo pode credibilizar as entidades que estão a trabalhar em todo o país e que precisam de ser valorizadas", disse à agência Lusa, no final da reunião.

No encontro, o secretário de Estado da Cultura apresentou o resultado do estudo realizado pela equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE -- Instituto Universitário de Lisboa, intitulado "Posicionamento das Entidades Artísticas no Âmbito da Revisão do Modelo de Apoios às Artes", resultante de um inquérito alargado ao setor.

"Ficámos a saber que 50 por cento dos artistas do país não tiveram apoios, mas estão interessados em candidatar-se. Este estudo e o novo modelo são um passo muito grande no sentido da inclusão", considerou Cecília Sousa.

Para a atriz, "não existe no Governo um conhecimento e um reconhecimento do valor económico da cultura, que deveria ser uma grande aposta transversal do país, ligando as áreas do turismo e da solidariedade social".

"O passo seguinte deve ser a introdução das artes nas escolas de uma forma genérica, para a formação da população", defendeu.

Também no final do encontro, o arquiteto José Mateus, presidente da Trienal de Arquitetura de Lisboa, disse à Lusa que "a realidade dos artistas mudou muito nas últimas décadas", e elogiou a flexibilidade, simplificação e desburocratização que novo o modelo deverá trazer.

"Há uma maior transparência implícita com esta forma de envolver os artistas e as estruturas na discussão do novo modelo", comentou, acrescentando que apoia a "nova lógica dos júris com membros de perfil diversificado, a introdução de uma bolsa de peritos com abertura ao envio de candidaturas".

José Mateus, que lidera uma estrutura da área da arquitetura contemporânea, que celebrou este ano uma década de existência, considerou ainda positiva a intenção manifestada pelo secretário de Estado da Cultura de aumentar os montantes de apoio às artes.

Na segunda-feira, primeiro dia da ronda de encontros da tutela sobre a proposta de apoio às artes, os sindicatos do setor consideraram também positivos os princípios gerais do projeto, mas dizem "esperar para ver", quanto à regulamentação para o concretizar.

André Albuquerque, coordenador da direção do CENA/STE - Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual e Sindicato dos Trabalhadores dos Espetáculos, comentou à Lusa que a proposta da tutela "não apresenta mudanças drásticas no apoio às artes, e tem alguns aspetos gerais positivos, como a desburocratização e simplificação".

No entanto, os sindicatos têm ainda "dúvidas que só serão esclarecidas com a regulamentação do diploma", nomeadamente em relação aos programas das parcerias com autarquias e outras entidades, que receiam serem "restritivos à criação artística", ressalvou.

A proposta do Governo do novo modelo de apoio às artes vai ainda ser apresentada a entidades do setor, pelo secretário de Estado da Cultura, em encontros a decorrer até quinta-feira, em Faro, Coimbra, Porto e Évora.

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