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Artistas Unidos em fase "particularmente difícil" por falta de obras e incerteza nos apoios

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/08/2017 Administrator

A incerteza quanto aos subsídios, no apoio às artes, e a falta de obras no Teatro da Politécnica limitam os Artistas Unidos a uma única estreia agendada para setembro, numa temporada que Jorge Silva Melo classifica de "particularmente difícil".

Em declarações à agência Lusa, a propósito da estreia de "A vertigem dos animais antes do abate", do autor contemporâneo grego Dimítris Dimitriádis - a estreia em Portugal da primeira peça importante do dramaturgo grego -, Jorge Silva Melo explica que não tem mais nada preparado além desta estreia e da reposição de "Jardim Zoológico de Vidro", de Tennessee Williams, por não saber o que vai ser o futuro.

"E não vou fazer como fiz este ano, em que me meti em cavalarias altas a produzir 'A noite da iguana' [também do dramaturgo norte-americano] em janeiro, e que, no fim de fevereiro, ainda não tinha dinheiro para pagar os ordenados dessa peça", justifica.

O facto de desconhecer como vão ser as novas regras dos apoios às artes que a Direção-Geral das Artes (DGArtes) "anda a congeminar", porque o texto que saiu é " muito vago", e por ainda "não ter percebido" o que serão os novos apoios a conceder por aquele organismo tutelado pelo Ministério da Cultura, faz com que o diretor da companhia fundada em 1995 não saiba o que vai ter em cena em janeiro.

"Não sei, não vou estar a ensaiar nada, porque não quero pôr-me na situação de não ter dinheiro para pagar às pessoas que, gentilmente, trabalham comigo. Nem para mim tenho, e espero que a DGArtes perceba as responsabilidades que criou com uma série de pessoas", sublinhou.

Jorge Silva Melo recorda que, segundo o Ministério da Cultura, o concurso para os apoios abrirá a meio de setembro, coincidindo com o início das novas temporadas de teatro.

"Mas eu ainda não percebi o que é o concurso exatamente. Portanto, se eu não percebi e não sou muito estúpido, é que alguma coisa confusa lá há de estar", frisa.

Para Jorge Silva Melo, no que respeita a subsídios, 2017 é um ano de "um retrocesso realmente muito grande, pois decidiram prolongar o subsídio anterior, sem abrirem perpetivas do que serão os subsídios no futuro".

"É mesmo o chamado golpe", sublinhou.

À questão dos subsídios acresce ainda a necessidade de obras estruturais no Teatro da Politécnica que, segundo o diretor dos Artistas Unidos, que são da competência da Reitoria da Universidade de Lisboa, proprietária do edifício, e que deviam realizar-se este verão, acrescenta.

"A Reitoria da Universidade de Lisboa disse que faria obras este verão no Teatro, o verão está no auge, e obras ainda não as vi", indica.

Sem obras, o telhado do Teatro da Politécnica vai abaixo, diz, frisando que a companhia se debate com esta situação perigosa, "já há dois anos e tal".

"Nós até parámos de apresentar espetáculos em junho, julho e agosto, porque tínhamos combinado que seria nessa altura [que seriam feitas] as obras, mas não é, não foram, não vão ser. Não temos contacto", acrescenta.

O reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, "é extremamente gentil e diz que vai tratar do assunto, mas passam 15 dias e o responsável das obras desaparece, é incontactável, etc., etc., etc.", adianta.

E se a Reitoria não fizer as obras, "também não vale a pena estarmos ali a correr risco de vida", dado o estado "absolutamente inacreditável" dos camarins, argumenta.

Recorda que, no inverno passado, desabou parte do telhado de um camarim que só não causou vítimas por não estar lá ninguém.

"Mas se fosse com alguém no camarim tinha havido feridos graves".

Jorge Silva Melo "não sabe de todo" o que vai ser a vida dos Artistas Unidos.

"Isto é tudo tão triste. É mesmo 'A vertigem dos animais antes do abate'", ironiza sem conter o sorriso.

A agência Lusa tentou contactar a Reitoria de Lisboa, sem que tenha obtido qualquer resposta, até ao momento.

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