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As polémicas sapatilhas que fazem correr mais

Logótipo de O Jogo O Jogo 17/03/2017 Hugo Monteiro

Lembra-se das próteses em curva que davam vantagem a Oscar Pistorius? O mesmo princípio pode ter sido aplicado às novas Nike, que têm uma "colher" em carbono, enquanto as Adidas anunciam uma eficácia total. A IAAF vai investigar a legalidade dos novos modelos.

As sapatilhas Nike Zoom Vaporfly 4% já levantavam várias questões, por o número em percentagem representar a vantagem que a marca diz conferir aos corredores de longas distâncias, mas o anúncio das Zoom Vaporfly Elite, que serão ainda melhores e se destinam a um recorde mítico da maratona (baixar as duas horas) fez disparar a polémica: embora tratando-se de um entusiasmante avanço tecnológico, será o novo calçado legal? A Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) já confirmou ir investigar as novas sapatilhas, pois também a Adidas inovou e procura o mesmo recorde com as Adizero Sub2, que anunciam uma capacidade de tração única.
Ainda a tentar superar os escândalos de doping e corrupção, a IAAF não esquece os momentos amargos que viveu com Oscar Pistorius, quando proibiu as próteses que conferiam vantagem ao paralímpico e um tribunal arbitral deu razão ao sul-africano, autorizando-o a correr nos Jogos Olímpicos de Londres.

Este caso tem semelhanças e vai colocar em causa a legislação aprovada na altura sobre o calçado. "Não deve ser fabricado de forma a propiciar a um atleta vantagens adicionais desleais", escreveu a IAAF no seu artigo 143. Até que ponto as novas sapatilhas conferem uma vantagem "desleal" é a grande questão.
Pesando 180 gramas, as Zoom Vaporfly, que concorrem com as Adidas Adizero Sub2 lançadas no mês passado, anunciam uma entressola que rende mais 13% de energia do que as espumas convencionais, mas o que gera a maior discussão é uma placa em fibra de carbono, com a forma de colher, que armazena e liberta energia, funcionando como uma espécie de catapulta. Ora este foi o princípio polémico das lâminas de Pistorius... Já a Adidas anuncia um por cento de ganhos no amortecimento, outro na leveza (100 gramas) e o restante na aderência, que dará uma eficácia à passada nunca antes vista.
Sendo o seu modelo mais polémico, Bret Schoolmester, diretor mundial para o calçado de corrida da Nike, garante ser legal: "Conferimos aos atletas um benefício que se enquadra nas regras. Não há molas ilegais nem nada parecido."

© Sergio Moraes/Reuters

A verdade é que vários especialistas colocam dúvidas, o que incomoda organizadores e atletas. Uns por dizerem ser impossível controlar milhares de atletas caso venham a existir sapatilhas ilegais; outros porque não querem ter resultados e recordes em causa ou, na inversa, perder para quem corre em vantagem.
As novas Zoom Vaporfly Elite, que não serão comercializadas, por surgirem como uma espécie de Fórmula 1 da sapatilha, serão utilizadas por Eliud Kipchoge, Lelisa Desisa e Zersenay Tadese na tentativa de baixar das duas horas o recorde mundial da maratona, numa ação patrocinada pela Nike e a realizar-se este ano no Autódromo de Monza. Mas o modelo anterior já esteve na maratona olímpica e deixou marcas: Eliud Kipchoge, Feyisa Lilesa e Galen Rupp, três dos atletas que o usaram, preencheram o pódio.

Não estão à venda

As Nike Zoom Vaporfly 4%, o modelo utilizado na maratona olímpica, irá ser colocado à venda em junho, com preço anunciado de 250 dólares (235 euros) existindo uma versão mais barata, a 150 dólares (140 euros).

Já as novas Zoom Vaporfly Elite não serão comercializadas, pelo menos por enquanto, por serem uma espécie de protótipo reservado aos melhores atletas da marca.

As Adidas Adizero Sub2 também ainda não estão disponíveis para venda, pois primeiro serão utilizadas pelo queniano Wilson Kipsang (estreou-as o mês passado, vencendo a maratona de Tóquio) na tentativa de também baixar as duas horas na maratona. O que explica a designação Sub2...

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