Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Associação que apoia homens vítimas de abuso recebe 50 pedidos de ajuda em 6 meses

Logótipo de O Jogo O Jogo 19/07/2017 Administrator

Cinquenta homens pediram ajuda, nos primeiros seis meses do ano, para ultrapassar as consequências de terem sido sexualmente abusados, anunciou hoje a Quebrar o Silêncio, única associação que dá apoio a homens vítimas de abusos.

A associação, que começou a funcionar em janeiro, refere que os 50 pedidos de ajuda provêm de homens que foram vítimas de abuso sexual e querem "gerir e ultrapassar as consequências traumáticas do abuso sexual".

"Grande parte dos homens que nos procuram eram crianças quando foram abusados sexualmente e passaram grande parte da vida a sofrer em silêncio", explica o presidente da associação, Ângelo Fernandes, numa nota enviada à agência Lusa.

"Vários estudos dizem-nos que os homens partilham com alguém terem sido abusados sexualmente na infância, em média, 22 anos após o abuso ter acontecido, e nós constatamos isso no nosso quotidiano", referiu.

De acordo com os dados da Quebrar o Silêncio, metade dos pedidos surgem de Lisboa mas também estão contabilizados pedidos de apoio de outras regiões de Portugal e de portugueses que vivem noutros países.

Além disso, lembra a associação, a Quebrar o Silêncio também recebe pedidos de cidadãos brasileiros, quer pela proximidade da língua, quer por não existir nenhuma associação do género no Brasil.

Admitindo que "o estereótipo masculino de que os homens são capazes de se proteger a si mesmos" é um obstáculo para que os sobreviventes peçam ajuda, o presidente da associação refere que "o dia-a-dia do sobrevivente homem é marcado por inúmeras dificuldades", que resultam do abuso.

"É comum o sobrevivente lidar com sentimentos de vergonha e de culpa, questões de identidade ou com o surgimento inesperado de memórias do abuso (flashbacks). É necessário compreender a especificidade ou a forma como os homens reagem e gerem os traumas resultantes do abuso sexual para que os serviços de apoio vão ao encontro das suas necessidades."

Para tentar ultrapassar algumas dos estereótipos, a Quebrar o Silêncio está a preparar um encontro para promover "um espaço de reflexão sobre novas masculinidades para a igualdade de género".

O encontro, marcado para 16 e 17 de novembro no ISCTE, em Lisboa, tem como mote "o homem promotor da igualdade" e vai contar com a participação de entidades como a Associação de Mulheres Contra a Violência, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, da Médicos do Mundo, e da União de Mulheres Alternativa e Resposta.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon