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Autarca preocupado com falta de limpeza no Pinhal de Leiria, Quercus culpa o Estado

Logótipo de O Jogo O Jogo 04/08/2017 Administrator

O presidente da Câmara da Marinha Grande está preocupado com a falta de limpeza da Mata Nacional de Leiria, que ocupa dois terços do concelho, principalmente junto às estradas florestais, enquanto a Quercus alerta para o desinvestimento do Estado.

"No que se refere à limpeza da mata, ela não estará assim tão bem quanto seria desejável, mas das informações que possuo do ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], eles têm pugnado para que esta limpeza seja feita", afirmou Paulo Vicente (PS), ressalvando que a mata "é exemplar" em termos de ordenamento e que está dividida por talhões e aceiros.

O autarca explica que compete às câmaras fazerem a gestão do combustível [limpeza] numa faixa mínima de 10 metros, em ambos os lados das vias, nas estradas municipais, obrigação que passa para a Infraestruturas de Portugal (IP), entidade que gere as Estradas Nacionais (EN) que atravessam o Pinhal de Leiria.

"Nas vias da floresta é o ICNF que tem de manter essa linha de gestão de combustível limpa. Nas estradas municipais e nacionais está a ser feito. Nas estradas florestais, penso que não. Isso preocupa-me porque qualquer pequeno problema pode ser um incidente bastante grave para a nossa mata", adverte o presidente da Câmara da Marinha Grande que, apesar da preocupação, confia na "vigilância bastante apertada" que existe na mata, em "estreita colaboração" com o ICNF.

Em resposta escrita enviada à agência Lusa, a IP diz que as estradas sob sua gestão localizadas junto ao Pinhal de Leiria - EN242 e EN242-2 -, foram alvo de "trabalhos de ceifa e corte seletivo de vegetação", ao longo de vários quilómetros, no início de julho deste ano.

O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural anuncia que foram propostos superiormente, para aprovação, dois projetos florestais, com orçamento global de 1 milhão de euros, para "operações de aproveitamento da regeneração natural, de beneficiação de povoamentos e de abertura de faixas de gestão de combustível em mais de 1.530 hectares".

A associação ambientalista Quercus critica a falta de investimento estatal na gestão da Mata Nacional de Leiria, sobretudo na ótica da defesa da floresta contra incêndios.

"Ao pé de muitas das estradas florestais não é executado o corte de matos na faixa dos dez metros. Isto porque tem um custo muito elevado, provavelmente a mata não tem o dinheiro para o executar, mas como é pública o Estado tem de alocar financiamento para criar essas medidas de descontinuidade de vegetação e de combustível", explica Domingos Patacho.

O ambientalista recorda o incêndio de 2003 que consumiu mais de 2.500 hectares de mancha florestal.

"Quando as pessoas atravessam São Pedro de Moel ou outras praias e atravessam a Mata Nacional de Leiria, há muitos comportamentos de risco que as pessoas muitas vezes não sabem. Como atirar beatas pela janela. Se toda aquela faixa dos dez metros estiver limpa é muito mais fácil tentar conter um incêndio e que os bombeiros cheguem rapidamente do que se estiver com bastante combustível, com muito mato sem ser cortado", frisa o ambientalista.

Domingos Patacho afirma que o Estado retira do Pinhal de Leira, em média, dois milhões de euros anualmente, mas, em contrapartida, apenas reinveste menos de 200.000 euros, considerando "insuficiente" este valor.

Na resposta escrita enviada à Lusa, o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural remeteu os dados que constam do 'site' do ICNF, o qual indica que, entre 2000 e este ano, o Estado arrecadou quase 25 milhões de euros provenientes de material lenhoso mais resina.

Em 2003, quando arderam os mais de 2.500 hectares foi o ano em que o Pinhal de Leiria mais receita deu: quase 2,4 milhões de euros.

Entre 2004 e 2011 foram investidos no Pinhal de Leiria 1.710.000 euros, sem contar com os encargos permanentes anuais em recursos humanos e materiais, acrescenta o ministério.

A origem da Mata Nacional de Leiria "remonta a datas anteriores ao reinado de D. Dinis, mas foi com este rei que foram feitas as grandes sementeiras com pinheiro-bravo". A primeira arborização data do século XIII e o plano de ordenamento de 1892, lê-se no 'site' do ICNF.

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