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Barbeiro trocou traficantes pela... seleção do Brasil

Logótipo de O Jogo O Jogo 12/10/2017 Francisco Sebe

Perninha mostrava habilidades no Morro do Andaraí (Rio de Janeiro) quando Renato Augusto o levou para a seleção. Substituído durante os Jogos Olímpicos, foi resgatado por Neymar.

Barbeiro no Morro do Andaraí, no Rio de Janeiro, Everson "Perninha" começou a mostrar habilidades aos 14 anos. Usava a cave da casa da mãe, onde montou um espelho e uma cadeira de bar, feita em ferro. Naquela altura, a melhor forma de publicitar as capacidades e o jeito inventivo era cortar o cabelo aos traficantes de droga e aos moto taxistas, que iam passando a palavra. Cobrava barato: três reais, nesta altura o equivalente a 80 cêntimos! Foi dessa forma que ficou conhecido.

Perninha conheceu então alguns jogadores do Flamengo, a quem passou a tratar do cabelo, mas para chegar à seleção acabou por ser apadrinhado por Renato Augusto, que na altura brilhava no Corinthians, de São Paulo. A história foi contada pelo próprio ao UOL Brasil.

O Corinthians deslocou-se ao Rio para defrontar o Vasco da Gama e Renato Augusto queria cortar o cabelo. Foi Kayke (Flamengo) quem se ofereceu para lhe arranjar barbeiro. Mandou Perninha, que recordou o episódio contando não ter feito o que o craque lhe pediu. "O Perninha é maluco, falei para ele fazer de um jeito e ele fez de outro mas gostei", contou Renato Augusto. Gostou mesmo, porque a seguir convocou-o para lhe cortar o cabelo no dia do casamento. A ele "e aos 16 padrinhos".

© Arquivo pessoal/Facebook de Everson "Perninha"

Entretanto, Renato Augusto foi vendido para a China. Quando foi chamado à seleção contactou o barbeiro, tendo este aproveitado para se insinuar em termos de seleção do Brasil. O médio tratou de o apresentar aos companheiros de equipa.

Perninha agradou aos jogadores, fez algumas amizades, mas durante os Jogos Olímpicos a CBF convidou outro barbeiro para retocar o visual dos futebolistas. Acontece que a mudança não foi bem acolhida pelos jogadores e o primeiro a manifestar-se tem uma opinião de peso: Neymar.

O agora jogador do PSG mandou chamar Perninha e disse que, a partir daí, quando a seleção estivesse no Rio de Janeiro, seria ele o barbeiro. Também como ele o artista das tesouras já passou das marcas, mas a alteração foi bem recebida. "Uma vez pediu para fazer o corte que fazia em Espanha e eu falei que ia fazer melhor do que ele queria. Ele acabou gostando".

Perninha tem 28 anos, considera-se confiante e ousado, trocou os traficantes do morro pelos famosos da seleção brasileira, mas continua a ser pobre, apesar da mudança de estatuto. Faz parte da rede "Barbearia do Zé", mas continua a morar no Morro do Andaraí, embora em situação diferente.

"Corto o cabelo dos famosos, mas dinheiro ainda não tenho a sobrar. Hoje moro na parte de baixo. Antigamente morava bem lá no alto do morro, agora é na entrada", contou.

Everton e Rodinei, ambos do Flamengo, Kayke, agora no Santos, e muita gente ligada a grupos e Samba e de Pagode continuam a ser clientes de Perninha, que na seleção tem outro freguês assíduo: Daniel Alves.

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