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Cáritas de Cabo Verde estima triplicar apoios por causa de mau ano agrícola

Logótipo de O Jogo O Jogo 11/10/2017 Administrator

A secretária-geral da Cáritas cabo-verdiana, Marina Almeida, estimou hoje vir a ter que triplicar o número de famílias a apoiar através do seu programa de segurança alimentar por causa do mau ano agrícola em perspetiva.

A Cáritas de Cabo Verde, que trabalha sobretudo com famílias pobres das zonas rurais, apoia, através do seu programa de segurança alimentar, quase 500 famílias vulneráveis das ilhas de Santiago e Santo Antão.

Trata-se de famílias, segundo a responsável da Cáritas, que têm acesso a apenas uma refeição por dia.

"Este ano temos um mau ano agrícola e há uma preocupação enorme porque estamos a desenhar um programa de segurança alimentar para quase 500 famílias e vamos ter que triplicar ou até mais", disse Marina Almeida.

Marina Almeida ressalvou que, mesmo assim, a organização está longe de conseguir apoiar "todas as famílias que estão em situação difícil".

A responsável da Cáritas de Cabo Verde, falava à agência Lusa, no âmbito do Fórum das Cáritas dos Países Lusófonos, que decorre até 17 de outubro em São Salvador do Mundo, interior da ilha de Santiago.

A responsável adiantou que, neste contexto, a instituição está a procurar organizar-se para conseguir responder às solicitações.

"Os bens das pessoas do meio rural são os seus animais e estão em risco e aí já se começam a sentir algumas dificuldades", disse, adiantando que esperam poder contar com o apoio dos parceiros internacionais, como a Caritas Luxemburgo, que dentro de dias terá uma missão em Cabo Verde.

O mau ano agrícola causado pela seca levou já o Governo a aprovar um plano de emergência para apoio a mais de 17 mil famílias do meio rural no valor estimado de 7 milhões de euros.

O plano será executado com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Marina Almeida assinalou que o trabalho da Cáritas em Cabo Verde passa sobretudo por apoiar as comunidades no acesso à alimentação, água, educação e prestações sociais.

"Estamos a tratar mais a pobreza rural, porque a pobreza urbana é muito mais complexa e ainda não temos uma estrutura bem preparada para as intervenções a nível urbano", onde predominam questões como o alcoolismo, as drogas e as questões habitacionais, disse.

Marina Almeida assinalou ainda a falta de um salário mínimo e as prestações sociais muito baixas como determinantes para a situação de pobreza das famílias.

"As pessoas não têm salário mínimo. O Governo propôs o Rendimento Mínimo, mas ainda não sabemos a quem se destina. A pensão social mínima é muito mínima mesmo, não ajuda muito", disse.

O fórum das Cáritas dos países lusófonos reúne representantes das Cáritas de Cabo Verde, Portugal, Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe para debate e troca de experiências sobre o papel destas organizações da Igreja Católica no combate à pobreza e às desigualdades.

As Cáritas Lusófonas reúnem-se em fórum de dois em dois anos, tendo o último encontro decorrido no Brasil em 2015.

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