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Cabo Verde precisa de meios para fazer previsões meteorológicas a longo prazo - Instituto

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/10/2017 Administrator

O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) de Cabo Verde disse hoje que a rede pluviométrica do país "é muito fraca" e precisa de 'softwares' sofisticados e meios para fazer previsões meteorológicas a longo prazo.

A constatação foi feita à agência Lusa por Daniel da Graça, administrador executivo do INMG, numa altura em que o país enfrenta um severo ano de seca, quando as previsões feitas em junho apontavam para muita chuva este ano.

Daniel da Graça admitiu que a previsão de chuvas acertou para as ilhas ocidentais (Sal e Boavista), mas "falhou sem dúvida" para as ilhas montanhosas tradicionalmente chuvosas, como Santiago, Santo Antão, Fogo ou São Nicolau.

O responsável lembrou que, em junho, o INMG transmitiu a previsão do grupo de peritos da África Ocidental, adaptando a Cabo Verde na extensão do Sahel e sobre o mar, já que o país tem falta de dados pluviométricos, "indispensáveis para uma boa previsão sazonal".

Numa nota de esclarecimento enviada à Lusa, o administrador disse que as previsões sazonais do INMG, com antecedência de 10 dias, "acertaram a 100%, apontando sempre ausência ou pouca chuva em Cabo Verde".

Quanto à previsão meteorológica a longo prazo, disse que para ser feita o país precisa de uma "rede densa" de postos udométricos (que medem a chuva) e de 'softwares' sofisticados de análise.

Daniel da Graça apontou razões para a rede pluviométrica em Cabo Verde ser fraca, como o facto de ser um arquipélago, tornando-se fácil posicionar um udómetro em terra, mas difícil e oneroso no mar.

Por isso, considerou que esse trabalho só seria possível com uma colaboração com os navios de pesca e de transportes.

Também afirmou que uma rede em terra poderia ser alvo de vandalismo e a fiabilidade dos dados pode não ser representativa, devido à evaporação com leitura tardia.

"Cabo Verde tem tentado criar modelos próprios locais, difícil de implementar, porque os dados disponíveis não permitem elaborar um modelo fiável, devido a fraca densidade da rede pluviométrica", salientou o administrador executivo do INMG.

Questionado se a falta de chuva este ano já é efeito das mudanças climáticas em Cabo Verde, Daniel da Graça disse que "tem pouco a ver", já que as precipitações no país são cíclicas, sendo que em anos anteriores foram "acima do normal" e neste foram "abaixo da normal".

Quanto à tradicional época das chuvas, disse apenas que houve uma "pequena deslocação", mas que "não é muito significativa", com início agora em julho, em vez de junho, prolongando-se até setembro, outubro e esporadicamente em dezembro, janeiro e fevereiro.

Daniel da Graça afirmou que ainda existem "estudos insípido" sobre a matéria no país, mas informou que o INMG já tem uma base de dados e está a trabalhar no sentido de melhorar as previsões, ressalvando que é preciso tempo para ter dados significativos a longo prazo.

Para mitigar os efeitos do mau ano agrícola, o Governo cabo-verdiano aprovou um plano de emergência de cerca de 7 milhões de euros, que irá abranger o salvamento do gado, melhoria na gestão da água e criação de empregos para as cerca de que 17.200 famílias afetadas.

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