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Cabo Verde quer aumentar tradução de autores para internacionalizar literatura

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/10/2017 Administrator

A curadora da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Fátima Fernandes, afirmou hoje que Cabo Verde quer alargar a tradução dos autores nacionais, apostando num "projeto abrangente" de internacionalizar a literatura cabo-verdiana.

Segundo a curadora, a tradução de autores cabo-verdianos "não é totalmente uma novidade", dando exemplos de alguns que já são traduzidos, como Germano Almeida, José Luís Tavares, Corsino Fortes, Manuel Lopes e Baltazar Lopes, mas o país quer apostar mais no marcado internacional.

"O que nós queremos é alargar, generalizar esta oportunidade de estar num país que é fronteira com vários continentes também possibilitar que a literatura seja um meio de nos fazer conhecer", apontou.

Fátima Fernandes falava à imprensa a propósito de uma formação sobre a internacionalização da literatura cabo-verdiana, que marcou o arranque da primeira Morabeza - Festa do Livro, evento organizado pelo Ministério da Cultura durante esta semana, na cidade da Praia.

A curadora destacou a importância da dimensão editorial, considerando que a internacionalização da literatura cabo-verdiana tem de estar integrada num "projeto muito mais abrangente e muito mais alargado", envolvendo a Biblioteca Nacional, as editoras, os representantes dos autores e as universidades.

"Não é um trabalho que se faz em pouco tempo. Vai responder a um projeto muito mais abrangente e que, em último caso, vai contemplar a vertente digital e a integração da literatura cabo-verdiana numa rede internacional", disse.

Fátima Fernandes indicou que o país já tem formações académicas em línguas, mas falta integrar essa componente com a tradução do texto literário, por forma a facilitar os escritores, fazendo com que consigam ultrapassar a dimensão geográfica nacional, "passando a ser lidos em países e em línguas que sejam diferentes da língua portuguesa".

A curadora destacou a destacou a importância da formação, ministrada por técnicos portugueses, destinada a pessoas que estão direta ou indiretamente ligada à criação e venda do livro e da literatura enquanto produto.

Fátima Fernandes apontou a diáspora cabo-verdiana como um "mercado possível" para valorizar as obras dos escritores crioulos, dizendo que a biblioteca poderá vir a ter um "papel extremamente importante" entre os escritores e o meio internacional.

O ministro da Cultura cabo-verdiana, Abraão Vicente, destacou a importância da formação, considerando que é uma forma de os agentes culturais ganharem dimensão técnica e científica para entrar em mercados internacionais, com presença em fóruns e feiras.

A formação é ministrada por dois consultores portugueses, que vão mostrar as diferentes estratégias e boas práticas que existem para conseguir internacionalizar autores e literatura.

Um deles é Tito Couto, que disse que a internacionalização pode ser feita através da intervenção estatal, com mecanismos de apoio à tradução, bem como parcerias e redes de eventos, como o Morabeza, ou criação de antologias em várias línguas com excertos de autores mais conhecidos.

No caso de Cabo Verde, constatou que tem as mesmas dificuldades de internacionalizar a literatura que outros países, como Portugal, que já tem uma indústria editorial muito mais profissionalizada, mas considerou que o arquipélago africano poderá aproveitar o seu "forte potencial cultural e de identidade", que poderá interessar a outros países.

"Além disso é um país com uma diáspora muito grande", considerou, dizendo que isso é importante para a internacionalização, apesar de concorrer outros fatores quantitativos, como os prémios e números de vendas.

"Aquilo que pode ser mais determinante é a forma como nos apresentamos, como nos mostramos únicos e diferentes do que existe no mundo. Isso é que deve ser o foco e é o que acaba por encantar as editoras internacionais", mostrou, apontando também como "elementos diferenciadores" a língua crioula e a musicalidade que é transportada para a literatura.

A primeira edição do Morabeza - Festa do Livro prolonga-se até domingo, reunindo cerca de 40 autores, com uma programação que se estende às escolas e universidades, com espetáculos musicais, debates, formações, sessões de poesia.

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