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Cabo-verdianas "não podem continuar a ter filhos aos 14 anos" -- Lura

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/07/2017 Administrator

A cantora Lura, que atuou em Sines no sábado, defendeu que as mulheres cabo-verdianas "não podem continuar a ter filhos aos 14 anos [...], porque obviamente não são filhos planeados".

Em entrevista a jornalistas, depois do concerto de estreia no Festival Músicas do Mundo (FMM), que terminou esta madrugada, em Sines, Lura comentou a maternidade recente, refletindo que as mulheres cabo-verdianas -- que, em Cabo Verde, têm, em média, filhos muito cedo -- devem "pensar mais e gerir melhor a sua vida".

Lura já o tinha referido durante a atuação, no Castelo de Sines, quando confessou que, depois de ter uma filha, não lhe passaria pela cabeça voltar a repetir a experiência.

"Valorizo muito mais a mulher [agora]", reconhece. "A força da mulher é muito presente, sobretudo em Cabo Verde, que é um país muito matriarcal, em que a mulher assume a maior parte das tarefas familiares", realça.

Nina, de sete meses, tem acompanhado a mãe para onde ela vai. Afastada uns tempos, por causa da maternidade, Lura adiou a promoção do último trabalho, "Herança", mas já está a preparar o próximo, procurando "um disco mais fresco", que "ainda está em criação".

A comunidade cabo-verdiana da região mobilizou-se para o concerto que abriu o programa do último dia da 19.ª edição do FMM.

"Não tinha ideia de que a comunidade [cabo-verdiana] fosse tão grande e, de facto, estavam aqui todos e foi muito bom. Vi as bandeiras e os panos em bandeira de Cabo Verde. Foi ótimo, deram também aquele fulgor cabo-verdiano, lembraram temas que são mais cantados pelos cabo-verdianos, aquelas histórias do dia a dia que, se calhar, só o cabo-verdiano saberá perceber melhor", observou Lura.

"O público faz muito parte do concerto e este público ajudou imenso ao concerto, estiveram desde o princípio ao fim comigo", elogiou.

Nascida em Lisboa, Lura só visitou Cabo Verde quando tinha 21 anos, mas vive há três anos no país africano, o que "faz toda a diferença". Deixou de cantar apenas "um país romântico" e envolto na morabeza (sentimento tipicamente cabo-verdiano, difícil de traduzir, como a saudade).

Hoje, fala "com mais conhecimento de causa", cantando um "país normal, com coisas muito boas e menos boas", distingue, dando o exemplo da canção "Maria Di Lida", que resulta da "noção mais clara do que é ser mulher, dessa força e responsabilidade da mulher na sociedade".

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