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Cabo-verdianos passam noites em frente à Embaixada em Paris para serem atendidos

Logótipo de O Jogo O Jogo 20/07/2017 Administrator

Vários cabo-verdianos, em França, têm passado a noite em frente à Embaixada, em Paris, para conseguirem ser atendidos, queixando-se que apenas são distribuídas 12 senhas às terças, quartas e sextas-feiras.

Esta noite, pela segunda vez numa semana, Bruno de Pina, de 30 anos, vai voltar a dormir ao relento junto à Embaixada de Cabo Verde, para onde se dirigiu após o trabalho, às 17:00 locais (16:00 em Lisboa).

"Cheguei às cinco horas da tarde, estou aqui à espera até amanhã, às nove. Venho aqui outra vez para fazer o meu passaporte que está quase a expirar e também preciso de certidão de nascimento. É uma situação muito triste porque perdemos a noite inteira, perdemos o nosso sono e vamos amanhecer aqui. Também perdemos o dia de trabalho e se não conseguimos fazer os documentos é mesmo lamentável", afirmou.

Na terça-feira, este cabo-verdiano, natural da ilha de Santiago, já tinha ido à Embaixada à meia-noite, onde já estavam 13 pessoas, mas não conseguiu dormir.

"Não consegui dormir nem um bocadinho. Fiquei de pé ou sentado no chão. Os outros já estavam a dormir em cima de pedaços de cartão. Outros apanharam pedaços de paletes porque está uma obra em frente. Eu não encontrei nada para dormir em cima e fiquei de pé ou sentado em cima do passeio", contou.

Quando as portas da Embaixada abriram, de manhã, uma funcionária disse-lhe que não tinha vaga para ele porque só havia 12 senhas para atendimento e já as tinha distribuído, aconselhando-o a voltar noutro dia.

O jovem também tinha tentado fazer uma marcação por telefone - a Embaixada recebe às segundas e quintas-feiras com marcação prévia - mas não havia vaga antes de novembro, data demasiado tardia para renovar a autorização de residência em França porque o seu passaporte expira em outubro.

Bruno de Pina lamentou que só haja 12 senhas de atendimento nos dias sem marcação e pediu ao governo para "pensar na situação dos cabo-verdianos".

"Na nossa Embaixada recebem-nos nem como cão. Espero que o governo tome uma grande iniciativa com essa situação porque é uma situação mesmo triste para nós. Estamos aqui em França mas não temos valor nenhum. O nosso governo não nos valoriza", concluiu.

Lucílio Lopes da Veiga, de 45 anos, também vai passar a noite no passeio da Embaixada para tentar renovar o passaporte esta sexta-feira de manhã.

"Saí do trabalho e vim para aqui e aqui vou estar até amanhã. Cheguei às cinco e meia. Tem que melhorar as coisas, eu vim pela primeira vez mas há muita gente que vem duas ou três vezes e não consegue. É complicado", lamentou o cabo-verdiano que vive em França há 15 anos.

Também natural da ilha de Santiago, Lucílio precisa de renovar o passaporte para o apresentar às autoridades francesas, descrevendo a espera de várias horas diante da Embaixada como "mais que triste".

"Não vou conseguir dormir, não trouxe nada para comer. É mais que triste mesmo. É uma vergonha", resumiu, acrescentando que vai perder uma manhã de trabalho, esta sexta-feira.

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