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Campanha arqueológica no castro de S. João das Arribas começa no dia 21

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/08/2017 Administrator

As escavações arqueológicas no castro de S. João das Arribas, em Miranda do Douro, que se iniciam no dia 21, podem consolidar hipóteses sobre a ocupação humana nesta região, depois de ter sido encontrada cerâmica de luxo, no local.

Em declarações à agência Lusa, o arqueólogo Pedro Abrunhosa Pereira disse que a campanha realizada no ano passado permitiu perceber que "o castro teve uma ocupação humana descontinuada, desde a Proto-História até ao século I, já no Império Romano, e depois da queda deste até ao século VII".

O arqueólogo referiu o "pouco conhecimento" que há sobre estas ocupações antigas nas arribas do rio Douro, nomeadamente em comparação com o que se passa em Espanha, onde existem castro idênticos entre os 20 e os 30 quilómetros de distãncia, que estão estudados de que se conhece mais.

"O que é interessante, em S. João das Arribas, é que encontrámos cerâmica de luxo, importada do norte de África, no século VI", salientou Pedro Abrunhosa Pereira, chamando a atenção para o facto de, nesta época, o Império Romano, caracterizado ter tido "excelentes vias de comunicação", está já estar dissolvido.

Segundo o responsável foi encontrada cerâmica 'sigilatta', e evidência de hábitos de consumo de cultura latina.

Todavia, do que foi permitido perceber no século VI, segundo o responsável, a população que habitava a região tinha um "gosto refinado pela cultura latina" e importava cerâmica de luxo do norte de África, já depois da desagregação do Império Romano.

"Além da cerâmica norte-africana, foi também encontrada cerâmica 'sigilatta' do vale do Ebro e de Rioja, o que é mais comum", acrescentou.

O arqueólogo, que coordena o projeto com a arqueóloga Mónica Salgado, espera que, este ano, se alcance "um significativo número de resultados", já que a campanha dura mais do que a do ano passado - irá de 21 de agosto a 15 de setembro -, e conta "com o dobro de voluntários participantes nas escavações".

No castro, que situado no perímetro do Parque Natural do Douro Internacional, "encontram-se bem visíveis estruturas dos séculos V a VII, nomeadamente uma muralha".

O castro de S. João das Arribas está classificado como monumento nacional desde 1910, uma classificação dada pelo primeiro Governo republicano, "em grande parte devido a uma inscrição latina, numa ara [uma pedra votiva] que foi encontrada no século XIX".

"Esta ara foi mandada fazer por um soldado romano da região, que pertenceu a uma legião que terá estado estacionada na Britânia, atual Grã-Bretanha", disse o arqueólogo, referindo que a investigação tanto associa S. João das Arribas a um castro, isto é, com características militares defensivas, como a um santuário.

"S. João das Arribas, na investigação [científica], há pessoas que o associam a um castro, há pessoas que o associam a um pseudo santuário. Nós sabemos que temos um contexto habitacional, algumas estruturas que não têm ainda nenhuma conexão. Ainda não sabemos perante o que é que estamos, mas sabemos que há material de luxo, e se há material de luxo é possível falarmos de um templo, mas é necessário escavar mais para termos mais resultados", declarou à Lusa Pedro Abrunhosa Pereira.

Um dos achados, "pouco comum em contexto arqueológico", foram "lâminas de xisto que cobriam as casas", o que "é um elemento bastante interessante", e tem-se encontrado essencialmente objetos de uso doméstico "e, por enquanto, nada nos aponta que estamos perante um espaço de uso militar ou até um templo".

O castro e miradouro de S. João das Arribas localiza-se no Parque Natural do Douro Internacional, junto à localidade de Aldeia Nova, no concelho de Miranda do Douro, no distrito de Bragança.

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