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Carlos Queiroz: "Sporting perde demasiado tempo com o Benfica"

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/02/2017 Rui Trombinhas
© Fornecido por O jogo

Treinador do Sporting entre 1994 e 1996, o português considera que leões deviam apontar energias e tempo a outras situações

Carlos Queiroz considera que o Sporting peca por "perder mais tempo e energia preocupado com o que os vizinhos da segunda circular vão fazer amanhã do que com aquilo que tem de fazer hoje", aludindo ao rival Benfica.

"Penso que uma das maiores fragilidades do Sporting não são as pessoas, a estrutura e a estratégia que escolhe, mas o tempo e energias que perde, preocupando-se com os outros e dando 'tiros nos pés'", disse o atual selecionador de futebol do Irão, e antigo treinador dos 'leões', em entrevista à agência Lusa.

Carlos Queiroz, que foi treinador do Sporting entre 1994 e 1996, recorda que a equipa teve 22 ou 23 treinadores em 17 anos, e assinala uma contradição que decorre da circunstância de ser o clube que tem levantado a bandeira contra o sistema.

"Não é muito lógico que o clube seja o paladino da defesa de um sistema eticamente e moralmente correto e despeça os seus treinadores. Qualquer clube, em Portugal ou no estrangeiro, que siga este trajeto de insegurança nas suas decisões e convicções não pode ter sucesso", defende Carlos Queiroz, que dá o exemplo do Manchester United, onde foi adjunto de Alex Ferguson, que perdeu "estabilidade, continuidade e confiança nas suas decisões".

Sobre o FC Porto, considera ter conseguido durante vários anos uma "solução milagrosa" e explica que usa este termo para "enaltecer e exaltar a qualidade dos dirigentes e das pessoas que suportaram a sua política desportiva".

Para Carlos Queiroz não é possível sustentar uma equipa durante muitos anos, "quanto mais sustentá-la com base numa política em que todos os anos se vendem jogadores".

"Algum dia, algum ano, nesses ciclos de renovação, os [jogadores] que vêm não se adaptam tão depressa e não executam tão bem. É normal, não é uma tragédia. O importante num clube é ter a convicção do que é a sua política e a sua estratégia, as quais, tendo ganhado uma, duas ou quatro vezes, não é pela sexta ou sétima vez falharem que tudo passa a estar mal. Pelo contrário, é precisar mexer numas arestas e continuar convictamente", refere Queiroz, para quem o futebol português compete "num contexto adverso, numa Europa rica, onde do dinheiro fala mais alto".

Quanto ao Benfica, tricampeão e atual líder da I Liga, lembrou que o clube da Luz atravessou um ciclo em que estava claramente atrás do Sporting, quando ele próprio treinava os 'leões': "Teve o seu ciclo, passou uma fase negativa, mas encontrou o carril, defende as suas ideias com bravura e não está a olhar para o lado nem para os outros. E os resultados, nos últimos anos, estão à vista, com a recuperação da hegemonia. Ninguém consegue estar sempre lá [em cima], mas também não é natural estar sempre em baixo".

"Quando um clube tem uma ideia própria e bravura para a defender fica difícil competir contra ele, a não ser que haja grandes alterações a nível da capacidade financeira. É o caso, neste momento, do Benfica", disse Carlos Queiroz quando questionado se prevê um ciclo hegemónico longo dos 'encarnados' no futebol nacional.

O atual selecionador do Irão acrescenta uma 'nuance': "Alguns benfiquistas, se calhar, não vão gostar do que vou dizer, mas o Benfica beneficia muito no país de uma situação conjuntural, por ser mais cómodo e mais politicamente certo ser do Benfica do que de outro clube. Mas, se beneficia dessa conjuntura cultural e social e por representar para o país o que é, isso nada tem a ver com a firmeza e determinação daqueles que competem".

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