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Casal português está chocado por condenação em Díli num processo de "mentira"

Logótipo de O Jogo O Jogo 24/08/2017 Administrator

Um casal de portugueses condenado hoje a oito anos de prisão por um tribunal timorense declarou-se "chocado" com a sentença, num processo que dizem ter-lhes roubado três anos de vida, saúde, estabilidade económica e o bem-estar da família.

"Esta mentira roubou não só a nossa vida, como também a vida das nossas crianças, a vida da nossa família, mas também a confiança das pessoas que amam este país", escrevem Tiago e Fong Fong Guerra numa mensagem enviada à Lusa.

"Nada temos para devolver a Timor-Leste. Porque nada roubámos, não temos nem nunca tivemos em nossa posse nenhum valor nem nada que pertença a Timor. Tudo o que temos e tivemos é do conhecimento do tribunal, comprovado por documentos emitidos pelas devidas entidades e autoridades", notam ainda.

A mensagem enviada por correio eletrónico é a primeira reação do casal depois de um coletivo de juízes do Tribunal Distrital de Díli os ter condenado a oito anos de prisão efetiva e ao pagamento de uma indemnização de 859 mil dólares por peculato.

O casal está retido há quase três anos em Díli impossibilitado de sair do país tendo vivido a quase totalidade desse período - enquanto aguardavam pelo julgamento - longe dos filhos que estão com os avós em Portugal.

"A Justiça Timorense já nos tirou três anos de vida, a nossa saúde, a nossa estabilidade emocional e económica e, principalmente, o bem-estar da nossa família e dos nossos filhos", escrevem.

Na nota o casal considera-se bode expiatório num processo em que "a verdade deixou de ser relevante" e em que por ser "preciso culpa alguém" se escolheram os dois portugueses.

Tiago e Fong Fong Guerra, que assinam a declaração, explicam que sempre confiaram que o Tribunal de Díli "veria claramente que a história criada pelo Ministério Público não corresponde à verdade", como dizem ter-se demonstrado no julgamento.

"Nenhuma prova incluída no processo, nem nenhuma testemunha corroborou a tese criada pelo Ministério Público ou confirmou qualquer dos factos que alega. Somos inocentes e o tribunal tem em sua posse as provas dessa inocência", escrevem.

O casal Guerra diz que nos últimos anos sempre fez tudo para colaborar com a justiça, fornecendo todos os documentos que comprovam a sua inocência, acabando por ser confrontados com uma sentença que "segue exatamente a história montada pelo Ministério Público, nuns casos ignorando as provas documentais e, noutros, fazendo interpretações dos documentos sem qualquer sentido".

"Esta decisão do tribunal de Díli é chocante para nós. Temos a forte sensação que estamos a ser acusados, perseguidos e discriminados por termos tido a má sorte de nos cruzarmos com um burlão profissional que a todos enganou, incluindo a nós, e é preciso um bode expiatório", refere, confirmando que vão recorrer do caso.

Os dois portugueses foram julgados pelos crimes de peculato, branqueamento de capitais e falsificação documental sendo central ao caso uma transferência de 859 mil dólares (792 mil euros), feita em 2011 a pedido do consultor norte-americano, Bobby Boye.

Boye foi um consultor pago pelo governo norueguês e posteriormente pelo governo timorense e que chegou a ser coarguido neste processo.

O tribunal deu como provado todos os factos da acusação considerando que os arguidos pretendiam com esta operação apropriar-se do dinheiro, dissimulando-o como fundos próprios para exonerar-se da sua responsabilidade criminal.

Considerando falso o alegado conluio com Boye, o casal diz que ter sido "enganado e usado" pelo consultor, da mesma forma que foram os Governos da Noruega e de Timor-Leste.

"O mais inacreditável é que, segundo os autos do processo, quem apresentou a denúncia deste caso ao Ministério Público foram as mesmas pessoas responsáveis pelo contrato de Bobby Boye, que junto com outros funcionários do Ministério das Finanças estavam informadas sobre tudo o que ele fazia, enquanto nós nada soubemos do que se passava até tudo vir a público. Como é possível sermos nós, que nada sabíamos, acusados e condenados?", escreve, referindo-se a um processo que consideram "kafkiano".

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