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Catalunha: Solução para conflito terá de ser o diálogo - académica britânica - C/ÁUDIO

Logótipo de O Jogo O Jogo 29/09/2017 Administrator

Uma especialista em cultura contemporânea espanhola da universidade britânica de Warwick defende que a solução para o conflito entre governo central espanhol e os independentistas catalães terá de ser o diálogo, pois o referendo marcado para domingo é ilegal.

Comentando a situação a dois dias do referendo à independência da Catalunha, Alison Ribeiro de Menezes disse à agência Lusa acreditar que, "no fim, vai ser necessário negociar aos dois lados, porque ninguém vai conseguir uma vitória".

"O voto de domingo não é um voto legal e não é só na Espanha, tem a ver com a UE e a ONU. Um país não aparece de um dia para o outro", vincou esta professora de estudos hispânicos.

Na sua opinião, "Madrid não pode ignorar os sentimentos independentistas de tanta gente e, a certa altura, vai ser preciso negociar, não só questões sociais e culturais, mas também económicas. A relação entre Madrid e Barcelona é fundamental e as implicações para o País Basco e a Andaluzia são importantes".

Em causa poderá estar uma renegociação da constituição de 1978, que instituiu a autonomia das regiões espanholas, ou das normas políticas acordadas naquela época, referiu.

Cidadã da Irlanda do Norte, com residência também em Dublin, apesar de lecionar em Inglaterra, esta académica considera existirem diferenças entre os casos da Catalunha e da Escócia, onde o sentimento de independência é elevado, apesar de um referendo em 2016 ter dado maioria ao voto pela permanência no Reino Unido.

"A Escócia tem o petróleo, mas Londres tem mais peso economicamente no contexto do Reino Unido. A Escócia não diz que deve receber mais [dinheiro], quer é ter independência política e cultural", explicou.

Na situação da Catalunha, uma região desenvolvida, com muita indústria e comércio, em causa está a distribuição de recursos e os acordos económicos com Madrid para a distribuição de dinheiro pelas várias regiões de Espanha, vincou Alison Ribeiro de Menezes.

O referendo de autodeterminação da Catalunha foi aprovado no parlamento regional por proposta da Generalitat [governo regional], formado pelo Partido Democrático Europeu Catalão (antiga Convergência Democrática, conservador) e Esquerda Republicana Catalã (socialista), ambos separatistas, com o apoio da Candidatura de Unidade Popular (extrema-esquerda e independentista).

Os partidos separatistas obtiveram 47% dos votos na votação regional de 2015, mas têm a maioria dos deputados no parlamento catalão.

Apesar da oposição do governo de Mariano Rajoy, a Generalitat assegurou hoje em Barcelona que no domingo haverá mais de 2.300 assembleias de voto para os catalães votarem no referendo.

O referendo foi declarado também inválido pelo Tribunal Constitucional de Espanha e a polícia apreendeu nos últimos dias milhões de boletins de voto e 45.000 convocações de membros das mesas eleitorais.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu ainda, como medida cautelar, todas as leis regionais aprovadas pelo parlamento e pelo governo da Catalunha que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação.

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