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Chefe da diplomacia portuguesa pede respeito pelos direitos dos rohingya na Birmânia

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/09/2017 Administrator

O chefe da diplomacia portuguesa defendeu hoje o respeito dos direitos humanos da minoria rohingya na Birmânia, considerando "completamente desproporcionada" a reação das autoridades militares, que já levou ao êxodo de quase 400 mil pessoas desta etnia. O Governo português manifestou hoje "séria preocupação" com a "escalada de violência" na Birmânia (Myanmar), num comunicado em que nunca refere o povo rohingya. O secretário-geral das Nações Unidas, ...

O chefe da diplomacia portuguesa defendeu hoje o respeito dos direitos humanos da minoria rohingya na Birmânia, considerando "completamente desproporcionada" a reação das autoridades militares, que já levou ao êxodo de quase 400 mil pessoas desta etnia.

O Governo português manifestou hoje "séria preocupação" com a "escalada de violência" na Birmânia (Myanmar), num comunicado em que nunca refere o povo rohingya.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou que os "crimes contra a humanidade" que sofrem os rohingyas na Birmânia podem ser considerados limpeza étnica, enquanto o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sustentou que "o que se passa na Birmânia é uma catástrofe chocante, já que, mais uma vez, se tenta erradicar etnias inteiras".

"Evidentemente, acompanhamos as preocupações das Nações Unidas no que diz respeito à necessidade de respeitar os direitos humanos de uma minoria", disse à Lusa Augusto Santos Silva, hoje à noite, à margem da chegada a Lisboa de cerca de 70 portugueses repatriados das ilhas Antilhas após a passagem do furacão Irma.

Questionado se concorda que está em causa uma limpeza étnica, o ministro respondeu afirmativamente.

Para o governante, "o povo rohingya, que pertence à Birmânia e tem na Birmânia a sua pátria, tem de ser respeitado".

A violência e discriminação contra os rohingyas intensificaram-se nos últimos anos: tratados como estrangeiros na Birmânia, um país mais de 90% budista, os rohingyas são a maior comunidade apátrida do mundo.

"Há um episódio de violência e a reação das autoridades militares birmanesas não é aceitável, porque provocou uma verdadeira fuga maciça de refugiados, já há milhares de refugiados", comentou.

Questionado por que motivo o comunicado divulgado esta tarde pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros não se refere expressamente a esta minoria, Santos Silva afirmou que a posição do Governo "usa os termos diplomáticos normais".

"Nós não queremos esquecer que há diferentes fontes de violência que estão ali em causa, mas evidentemente que as autoridades de qualquer Estado têm obrigações acrescidas e por muito que sejam também condenáveis as ações de um grupo guerrilheiro oriundo da comunidade rohingya, a reação das autoridades militares é completamente desproporcionada e merece condenação", sublinhou Santos Silva.

"Instamos as autoridades birmanesas a contribuírem para que a violência cesse", acrescentou.

Na nota, o executivo português manifestava "séria preocupação" com a "recente escalada de violência" na Birmânia (Myanmar), "assim como a nova vaga de refugiados por ela ocasionada, bem como a escassa informação sobre a situação no terreno que resulta da saída das organizações humanitárias que ali operam, por razões de segurança".

Lisboa apela "ao fim imediato da violência", esperando "que as autoridades birmanesas possam rapidamente garantir as condições para o restabelecimento do acesso humanitário, assegurando igualmente a proteção da população civil inocente".

Segundo a ONU, cerca de 400 mil rohingyas refugiaram-se no Bangladesh desde finais de agosto para fugir à repressão do exército birmanês, que lançou uma operação militar no oeste do país após uma série de ataques da rebelião rohingya.

As autoridades da Birmânia, de maioria budista, não reconhecem a cidadania aos rohingya, cerca de um milhão de pessoas, impondo-lhes múltiplas restrições, incluindo a privação da liberdade de movimentos.

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