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Clima de tensão no Quénia aumenta com proximidade das eleições gerais

Logótipo de O Jogo O Jogo 08/08/2017 Administrator

Quase 20 milhões de quenianos estão inscritos para elegerem hoje um Presidente, governadores, autarcas, deputados, senadores e representantes das mulheres no parlamento, escrutínios marcados pelo crescente clima de tensão dos últimos dias.

O resultado da eleição presidencial é imprevisível, com os dois principais candidatos, o Presidente cessante, Uhuru Kenyatta e o seu rival, Raila Odinga, a reeditarem o duelo de 2013, no mesmo registo de campanha acrimonioso, marcado por acusações recíprocas -- com a oposição a acusar o campo de Kenyatta de preparar fraudes eleitorais.

Na mente dos quenianos estão ainda frescos os acontecimentos após as eleições gerais de 2007: o mergulho de um país exemplo de estabilidade em dois meses de violência político-étnica - que fez mais de 1.100 mortos e 600 mil deslocados -, depois da oposição, já então liderada por Odinga, reclamar ter sido vítima de uma fraude eleitoral que reelegeu o então chefe de Estado Mwai Kibaki.

A campanha eleitoral decorria vinha a decorrer num ambiente de calma relativa, até ao ataque à residência do vice-Presidente, William Ruto, no passado dia 29, e ao anúncio do assassinato de Christopher Musando, supervisor do sistema informático da Comissão Eleitoral queniana (IEBC), cujo corpo foi encontrado no mesmo dia com marcas de tortura, nas margens de uma floresta nos arredores de Nairobi.

A expectativa de perturbações na terça-feira e dias seguintes levou o Governo a decidir o deslocamento sem precedentes de 180 mil efetivos das forças de segurança em todo o país, até porque, desta vez, é a eleição dos governadores de 47 distritos -- fruto da descentralização aprovada após reforma constitucional em 2013 - que maior número de problemas disseminados pode trazer à calma e estabilidade.

Como acontece em cada eleição neste país da África Oriental com mais de 48 milhões de habitantes e 19,6 milhões de eleitores, um grande número de quenianos a trabalhar nas grandes cidades regressa aos locais de nascimento para votar, mas também como medida de precaução.

As eleições no Quénia são tradicionalmente decididas por sentimentos de pertença étnica, pelo que tanto Kenyatta (um kikuyu) como Odinga (um luo) construíram duas fortes alianças eleitorais para disputar os votos das cinco principais etnias no país, a que pertencem cerca de 70% dos 19,6 milhões de eleitores registados.

De acordo com os analistas, muito dependerá de como cada um dos campos conseguir mobilizar os seus simpatizantes para se deslocarem hoje às mesas de voto, mas o fator étnico não explicará sozinho a imprevisibilidade dos resultados e os 28% de indecisos numa sondagem em abril mostram isso mesmo.

É na economia que se esgrimirá o desfecho das eleições gerais no Quénia e Kenyatta mostra-se confiante nos sucessos alcançados pelo seu executivo, mas também consciente do handicap de fazer chegar o bem desempenho económico do país aos mais necessitados.

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