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Clima de tensão no Quénia aumenta com proximidade das eleições gerais

Logótipo de O Jogo O Jogo 06/08/2017 Administrator

O clima de tensão no Quénia não tem parado de crescer nos últimos dias, à medida que se aproxima a eleição do Presidente, governadores, autarcas, deputados, senadores e representantes das mulheres no Parlamento, marcada para esta terça-feira.

O resultado da eleição presidencial é imprevisível, com os dois principais candidatos, o Presidente cessante, Uhuru Kenyatta e o seu rival, Raila Odinga, a reeditarem o duelo de 2013, no mesmo registo de campanha acrimonioso, marcado por acusações recíprocas -- com a oposição a acusar o campo de Kenyatta de preparar fraudes eleitorais.

Na mente dos quenianos estão ainda frescos os acontecimentos após as eleições gerais de 2007: o mergulho de um país exemplo de estabilidade em dois meses de violência político-étnica - que fez mais de 1.100 mortos e 600 mil deslocados -, depois da oposição, já então liderada por Odinga, reclamar ter sido vítima de uma fraude eleitoral que reelegeu o então chefe de Estado Mwai Kibaki.

Agora, a campanha eleitoral vinha a decorrer num ambiente de calma relativa, até ao ataque à residência do vice-Presidente, William Ruto, no passado dia 29, e ao anúncio do assassinato de Christopher Musando, supervisor do sistema informático da Comissão Eleitoral queniana (IEBC), cujo corpo foi encontrado no mesmo dia com marcas de tortura, nas margens de uma floresta nos arredores de Nairobi.

A expectativa de perturbações na terça-feira e dias seguintes levou o Governo a decidir o deslocamento sem precedentes de 180 mil efetivos das forças de segurança em todo o país, até porque, desta vez, é a eleição dos governadores de 47 distritos -- fruto da descentralização aprovada após reforma constitucional em 2013 - que maior número de problemas disseminados pode trazer à calma e estabilidade.

Como acontece em cada eleição neste país da África Oriental com mais de 48 milhões de habitantes e 19 milhões de eleitores, um grande número de quenianos a trabalhar nas grandes cidades regressa aos locais de nascimento para votar, mas também como medida de precaução.

"A ansiedade que se propagou no país com a aproximação das eleições é doentia", considerava um editorial recente do Daily Nation, o principal diário do país.

Aos 72 anos, e a concorrer pela quarta -- e seguramente última - vez ao cargo mais alto da nação, pela coligação NASA (acrónimo em inglês de National Super Aliance) Raila Odinga tem feito campanha com a garantia de estar a "proteger" os votos que lhe foram roubados em 2007 e em 2013.

O líder da oposição conseguiu em janeiro último substituir os membros da IEBC, que considerou sempre como parcial, e não se tem cansado de denunciar a possibilidade de muitos mortos virem a "votar" nestas eleições.

A nova comissão eleitoral tem garantido que o sistema de voto eletrónico, dotado de equipamento biométrico, evitará fraudes significativas, mas a morte de Musando permitiu a Odinga colocar em causa aquela garantia.

Em 2013, uma parte do sistema de votação eletrónico foi abaixo, alimentando as acusações de fraude aquando o anúncio da vitória, logo na primeira volta, de Uhuru Kenyatta, filho do primeiro Presidente queniano e pai da independência do país em 1963, Jomo Kenyatta.

O Presidente e o seu vice-presidente, William Ruto, rejeitam as alegações da oposição e acusam-na de preparar a opinião pública para a rejeição da vitória da Jubilee, a coligação no poder.

Os dois líderes quenianos foram acusados de crimes contra a humanidade durante as violências em 2007-2008 e presentes a julgamento pelo Tribunal Penal Internacional em Haia em 2013. Quando as acusações da justiça internacional foram retiradas pouco depois, os índices de popularidade de Kenyatta e Ruto subiram significativamente, mas têm vindo a decair ao longo dos últimos anos.

As eleições no Quénia são tradicionalmente decididas por sentimentos de pertença étnica, pelo que tanto Kenyatta (um kikuyu) como Odinga (um luo) construíram duas fortes alianças eleitorais para disputar os votos das cinco principais etnias no país, a que pertencem cerca de 70% dos 19,6 milhões de eleitores registados.

De acordo com os analistas, muito dependerá de como cada um dos campos conseguir mobilizar os seus simpatizantes para se deslocarem às mesas de voto esta terça-feira, mas o fator étnico não explicará sozinho a imprevisibilidade dos resultados e os 28% de indecisos numa sondagem em abril mostram isso mesmo.

É na economia que se esgrimirá o desfecho das eleições gerais no Quénia e Kenyatta mostra-se confiante nos sucessos alcançados pelo seu executivo, mas também consciente do handicap de fazer chegar o bem desempenho económico do país aos mais necessitados.

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