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Comunidade internacional com poucas soluções para a crise da Coreia do Norte - especialistas

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/09/2017 Administrator

Prestes a esgotar a via das sanções, sem diálogo diplomático e com os altos riscos de uma solução militar, a comunidade internacional tem poucas soluções para resolver a crise da Coreia do Norte, segundo especialistas ouvidos pela agência Lusa.

"Tudo indica que é virtualmente impossível um ataque cirúrgico que não cause danos aos aliados dos EUA. Um ataque massivo, rápido e surpreendente poderia limitar os danos, mas os EUA teriam de estar preparados para baixas na Coreia do Sul e no Japão", explicou à Lusa o diretor do Centro de Estudos Japoneses da Universidade do Michigan, Kiyoteru Tsutsui.

Na semana passada, no seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Donald Trump ameaçou "destruir totalmente" a Coreia do Norte caso o regime de Piongyang continuar a ameaçar os Estados Unidos.

Para o especialista Tsutsui, no entanto, "a escolha é entre um ataque militar com baixas significativas em aliados americanos, ou um leste asiático sob constante ameaça das capacidades nucleares da Coreia do Norte durante um largo período de tempo -- arriscando um ataque nuclear mais tarde e com baixas muito piores."

Na quinta-feira, Donald Trump afirmou que os EUA vão impor novas sanções. Uma das hipóteses apontadas pelo presidente dos EUA este mês foi cortar o comércio com todos os países que tenham trocas comerciais com o país de Kim Jong-un, mas essa hipótese é muito remota.

"Tudo é possível, mas isso significaria terminar com o comércio com a China. Isso prejudicaria tanto a economia americana e mundial que é seguro assumir que é apenas conversa. É apenas algo que funciona junto da base do Presidente Trump", explica Kiyoteru Tsutsui.

Richard Gowan, um especialista em ONU do Conselho Europeu de Relações Internacionais, diz que "apesar de os EUA estarem muito agressivos agora, é possível que reconheçam no futuro a necessidade da diplomacia para atingir um acordo diplomático".

"Nesse caso, é possível que [António] Guterres atue como mediador. Ele tem qualificações para o fazer. Por enquanto, tem um papel secundário, é um conflito que está além dele. Tudo o que pode fazer é pedir, de forma calma, aos grandes poderes que cooperem, enquanto presta atenção a outras crise, como a do Iémen e Sudão do Sul", explica Gowan.

O especialista diz que é na ONU, e no seu Conselho de Segurança, que uma solução diplomática ainda tem alguma hipótese de acontecer.

A aprovação de uma oitava ronda de sanções, no dia 11, diz, é um bom sinal.

"O Conselho de Segurança é o único local onde a China, Rússia e EUA podem mostrar a sua unidade. É claro que os três poderes têm dificuldades em manter-se unidos na forma como lidar com Pyongyang, da mesma forma que aconteceu com a Síria. Mas a ONU é o único sitio onde podem fazer cedências", diz Gowan.

Todos os grandes poderes estão reunidos desde a semana passada em Nova Iorque, para a Assembleia Geral da ONU, e a crise tem dominado a agenda, mas ainda não se registaram quaisquer avanços.

Nos últimos dias, o discurso subiu aliás de tom, com a Coreia do Norte a acusar Donald Trump de ter "declarado guerra" à Coreia do Norte e a ameaçar abater os bombardeiros norte-americanos que se aproximem e sobrevoem o espaço aéreo junto da Coreia do Norte.

"A necessidade de evitar a guerra é um grande tema, mas não faz diferença. A grande maioria dos membros da ONU não tem poder sobre o que acontece. Mesmo os membros europeus do Conselho de Segurança, como o Reino Unido e a Franca, são atores periféricos neste caso", explica Gowan.

Kiyoteru Tsutsui diz que "é sempre difícil escolher entre um dano garantido hoje e um dano desconhecido no futuro", mas que são agora essas as opções da comunidade internacional. O especialista não tenta prever o que vão fazer os EUA.

"Um regime americano normal evitaria um ataque militar por agora, mas este regime é imprevisível", conclui.

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