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Comunidade internacional saúda decisão histórica na Arábia Saudita

Logótipo de O Jogo O Jogo 27/09/2017 Administrator

A comunidade internacional saudou a decisão histórica de permitir que as mulheres conduzam anunciada na terça-feira pela Arábia Saudita, que era o único país do mundo a impor tal proibição.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, aplaudiu o "passo importante na direção certa", enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, considerou a decisão "um passo positivo para a promoção dos direitos das mulheres", num país muitas vezes criticado na cena internacional.

Na terça-feira, o rei Salman da Arábia Saudita ordenou aos ministérios que autorizassem a emissão de cartas de condução "indiferentemente para homens e mulheres", de acordo com um decreto que soou como um terramoto neste reino ultraconservador.

Esta medida, exigida há décadas por muitos cidadãos, alguns dos quais foram presos por terem desafiado a proibição, deve entrar em vigor a partir de junho de 2018.

"Estou chocada, sinto uma grande alegria", disse Haya Rakyane, uma funcionária do banco com sede em Riade citada pela agência France Presse.

"Não esperava tal decisão antes dos próximos 10 ou 20 anos", acrescentou.

"É um dia muito feliz! Ainda não acredito, não acredito até ver com os meus próprios olhos", disse Chatha Dousri, uma empregada da companhia petrolífera Aramco, em Dahran (leste), que contou que tinha conduzido dentro do complexo residencial onde vive, mas nunca na via pública.

Muitas mulheres da elite saudita que podiam conduzir em Londres e no Dubai, mas não em Riade, tentaram enfrentar a proibição na Arábia Saudita, mas foram sistematicamente presas.

"Esta é a realização da coragem dos militantes que fizeram campanha há anos", considerou, por seu lado, a Amnistia Internacional.

"Foi muito tarde", acrescentou a organização, referindo-se ao levantamento da proibição que descreveu como um "pequeno passo".

As mulheres ainda estão sujeitas a severas restrições na Arábia Saudita, onde estão à guarda de um homem da família - geralmente pai, marido ou irmão - para estudar ou viajar.

Como parte de um plano de reformas económicas e sociais a aplicar até 2030 para limitar a sua dependência do petróleo, Riade parece querer aliviar certas restrições impostas às mulheres

A decisão de levantar a proibição de condução ocorre depois de as mulheres sauditas terem sido autorizadas a celebrar num estádio o feriado nacional, no passado sábado, pela primeira vez.

Homens e mulheres dançaram ao ritmo de música eletrónica, cenas nunca vistas num país conhecido pela segregação dos sexos no espaço público e por uma visão austera do Islão.

Riade está também a tentar promover outras formas de entretenimento, apesar da oposição dos ultraconservadores, num um reino onde metade da população tem menos de 25 anos.

Em novembro passado, o príncipe saudita e bilionário Al-Walid bin Talal, conhecido pela sua franqueza, lançou um apelo para que as mulheres finalmente tivessem o direito de conduzir.

Al-Walid bin Talal lamentou o "custo económico" decorrente do facto de as mulheres na Arábia Saudita dependerem de motoristas privados estrangeiros ou táxis para viajar.

Permitir que as mulheres conduzam é "uma exigência social urgente que a situação económica justifica", sublinhou, referindo-se às dificuldades orçamentais que o país enfrenta devido ao declínio das receitas do petróleo após o colapso dos preços.

O recurso a motoristas estrangeiros custa milhões de dólares à economia saudita, acrescentou.

As tentativas de aliviar as restrições sociais, que até agora não foram traduzidas em direitos civis e políticos, visam repelir as críticas, segundo alguns analistas.

As autoridades prenderam cerca de 20 pessoas, incluindo influentes fazedores de opinião púbica e intelectuais, numa "campanha coordenada".

Os analistas dizem que muitos desses dissidentes terão criticado a forte política externa do jovem príncipe herdeiro Mohammed ben Salmane (32 anos), como o boicote ao Qatar, bem como reformas como a privatização das empresas estatais e a redução dos subsídios do Estado.

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