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Conselho de Disciplna da FPF recusa ser "vídeo-árbitro" ao serviço dos clubes

Logótipo de O Jogo O Jogo 06/04/2017 Rui Trombinhas

Órgão da FPF salienta que "queixas" constantes prejudicam celeridade e estabilidade da competição

O Conselho de Disciplina da FPF, em comunicado, pediu a "todas as sociedades desportivas" que participam nas competições que não o transformem "numa espécie de "vídeo árbitro" permanente, avaliando, a todo o momento, as diversas ocorrências de um jogo de futebol de molde a descortinar infrações disciplinares eventualmente praticadas no decurso do mesmo."

Na sequência das queixas apresentadas pelo Sporting face a alguns casos durante o Benfica-FC Porto, o CD salienta que decidiu em pouco mais de 48 horas, aproveitando para lembrar casos anteriores, como o de Slimani, que se estendeu pelo tempo.

Leia o comunicado do Conselho de Disciplina

1. O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, sua Secção Profissional, teve a oportunidade de recentemente analisar participações disciplinares que assentavam em situações e ocorrências diretamente ligadas à prática do futebol, no espaço, territorial e temporalmente demarcado, do terreno de um jogo de futebol.

2. Tem esta instância disciplinar das competições desportivas profissionais de futebol plena consciência da possibilidade regulamentarmente prevista segundo a qual qualquer pessoa que tenha conhecimento de factos suscetíveis de configurar infração disciplinar prevista no presente Regulamento pode participá-los à Secção Disciplinar.

3. Todavia, sem colocar em perigo essa prerrogativa de denúncia disciplinar, não pode o Conselho de Disciplina deixar de expressar o seu sentir a todas as sociedades desportivas que participam nas competições organizadas pela LPFP, no universo de eventuais infrações disciplinares nesse concreto ambiente de jogo.

© Fornecido por O jogo

4. Na verdade, aí assume especial valor a autoridade da equipa de arbitragem, suas decisões - técnicas e disciplinares -, relatórios ou declarações.

O órgão disciplinar de qualquer organização desportiva, nacional ou internacional, no que respeita às valorações da equipa de arbitragem, vê-se norteado, na sua ação posterior, por um princípio de intervenção mínima, de carácter excecional.

5. Não é difícil de compreender esta máxima.

Não existindo este princípio, isto é, colocando-se em causa as decisões e valorações da arbitragem, em todo e qualquer caso, em todos os jogos de uma dada competição -, semana após semana, a competição perderia a sua celeridade, a sua regularidade, a sua estabilidade.

Dificilmente conheceria um final dentro dos prazos estabelecidos para a sua disputa, ultrapassaria épocas desportivas, colocaria em crise a participação de equipas em competições desportivas europeias, abalaria todos os calendários desportivos.

Transformar o Conselho de Disciplina numa espécie de "vídeo árbitro" permanente, avaliando, a todo o momento, as diversas ocorrências de um jogo de futebol de molde a descortinar infrações disciplinares eventualmente praticadas no decurso do mesmo seria, no fundo, de uma só vez, abalar profunda e decisivamente a ação e autoridade do árbitro, paralisar o Conselho de Disciplina e introduzir fator de repercussões negativas incalculáveis para a competição desportiva.

Ora não é esse o ideário que regularmente se encontra plasmado nos normativos da LPFP, nem a maneira de estar e agir do atual Conselho de Disciplina.

7. Relembre-se por fim, não nos parece abusiva esta menção, um passado bem recente que, justificada ou justificadamente - não nos compete a nós agora qualificar -, marcou o exercício da função disciplinar de uma forma negativa, pelo tempo que foi expendido no alcançar de uma resposta disciplinar definitiva.

De forma abreviada, referimo-nos, ao denominado "Caso Slimani" e, diga-se, a toda a extensão de participações disciplinares que do mesmo irradiaram.

Por isso, na sua recente análise, o Conselho de Disciplina decidiu em pouco mais de 48 horas.

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