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Controlo social e identidade em foco na exposição "Decadança" de João Leonardo

Logótipo de O Jogo O Jogo 31/08/2017 Administrator

A exposição "Decadança", do artista João Leonardo, com obras em vídeo e escultura, inspirada na temática do controlo social e identidade, inaugura a 07 de setembro no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa.

Com curadoria de Celso Martins, a exposição individual inaugura nesse dia, às 19:00, abre ao público no dia seguinte, a 08 de setembro, e vai estar patente até 03 de dezembro deste ano.

A produção artística de João Leonardo "tem conhecido diversas estratégias de consumação, mas tem-se mantido fiel a um núcleo essencial de assuntos: as políticas do corpo, o controlo social e a identidade atravessam decisivamente esta produção que vista mais de perto revelará ainda uma dissecação mais específica dos temas do vício, da compulsão e da ideia de decadência", descreve um texto do curador.

Esta linha de trabalho é materializada no fumo e nos cigarros fumados pelo artista, cujos restos recolhe para criar imagens paradoxais, que na exposição surgem numa relação dialética entre o vídeo e a escultura-imagem.

Integra esta mostra individual uma produção artística recente, com o vídeo "Un Portugais c'est un autre Portugais" (2017), com um áudio da voz da escritora Marguerite Duras, entrevistada por Michel Gonzalez e Paula Jacques, no programa "L'invité du Lundi", em Les Après-Midi de France Culture, de 1976, acompanhado também com a voz de João Leonardo.

"O artista resgata o conteúdo verbal e o som original: ouvimos os cigarros que Duras fuma ininterruptamente, mas também o som do gelo no copo de whisky, a espessura da voz, a respiração, vestígios de características idiossincráticas de Duras, que não vemos nunca", descreve o curador.

Além deste vídeo, é apresentada a escultura-imagem que dá o título à exposição "Decadança" (2017), com um recipiente de vidro, whisky, água, edição impressa de "O Capital" de Karl Marx e "A Interpretação dos Sonhos" de Sigmund Freud, num plinto de madeira.

A única referência visual no vídeo é o movimento do fumo e os seus "torvelinhos hipnóticos" no espaço ao longo do tempo de um cigarro poisado num cinzeiro colocado fora de campo.

"Trata-se de uma dança lenta e sem destino tão evanescente e desmaterializada que contrasta com as palavras de Duras repletas de questionamentos e perplexidades. O artista intervém pela tradução e dramatização pessoal do texto, uma espécie de duplicação fantasmagórica que reforça a tese implícita nas palavras da escritora francesa: a impossibilidade de um autorretrato e de uma definição pessoal quer pela obra, quer pela soma das condições identitárias pessoais e políticas", acrescenta Celso Martins no texto.

Nascido em 1974, João Leonardo vive e trabalha em Lisboa e Malmö. Licenciado em História de Arte na Universidade Nova de Lisboa, 1996, completou o mestrado em Belas Artes na Malmö Art Academy da Lund University, na Suécia, em 2009, e já expos, entre outros espaços, em Bamberg, na Alemanha, na Galeria 111, Lisboa-Porto, e no Instituto Franco-Portugais, em Lisboa.

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