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Coro Infantil Casa da Música é "diamante em bruto" que se estreia com Britten

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/09/2017 Administrator

Quando, no domingo, o recém-criado Coro Infantil Casa da Música subir ao palco da principal sala da instituição que lhe dá nome, vai ser a estreia de um "diamante em bruto", com o "War Requiem", de Benjamin Britten.

A classificação é da maestrina titular do conjunto, Raquel Couto, que salienta que o grupo tem "muito boas vozes, mas [são] vozes que nunca trabalharam a um nível técnico tão elevado como agora" e que vão estar no palco da sala Suggia da Casa da Música, no Porto, com o Coro Nacional de Espanha, o Coro Lira e a Orquestra Sinfónica do Porto.

"Há um momento muito engraçado, há uma semana, em que uma criança, num ensaio, vem ter comigo e pergunta: 'Olha, Raquel, a minha mãe pergunta se somos os primeiros a atuar ou se é depois da orquestra.' Depois de já termos explicado muitas vezes que é ao longo da obra que vamos atuando. Acho que agora vão começar a perceber como é essa dinâmica toda de um novo mundo musical a que eles não tinham acesso", contou a maestrina à Lusa.

Já o maestro titular da Orquestra Sinfónica do Porto, Baldur Brönnimann, sublinhou a importância de a peça de estreia do mais recente conjunto da Casa da Música ser algo da escala de "War Requiem", "porque o serem miúdos e ser a primeira experiência deles não significa que não consigam compreender boa música".

"Às vezes, com crianças, pensas que tens de fazer coisas fáceis. Não concordo, de todo. Eles conseguem compreender completamente tudo o que estamos a fazer e temos a obrigação de lhes mostrar música a sério. Trabalham no duro como qualquer outra pessoa. E têm grandes expectativas que estamos aqui para preencher. É algo ótimo para a Casa da Música, é para isto que este edifício deve estar aqui", afirmou Brönnimann.

Antes do primeiro ensaio com o maestro titular da Sinfónica do Porto, nos bastidores, os membros do Coro Infantil esperavam, pouco serenamente, a chegada da maestrina. Assim que Raquel Couto chega, a ordem instala-se na sala. Quem quer dizer algo tem de pôr o braço no ar. É assim que surgem perguntas como "de que país é o maestro?" Suíça, responde Raquel Couto, para logo prosseguir a preparação.

Perante alguma agitação, a maestrina declara que "ninguém fala" e faz-se silêncio: "Era uma vergonha o maestro ter de mandar calar o coro", diz Raquel Couto, sem nunca levantar a voz.

No palco da sala Suggia, porém, a situação é diferente e o silêncio já é a regra. "Não estou a pedir silêncio, não berro, não digo 'calem-se meninos'. Temos a posição 1, a posição 2, a posição 3. Basta dizer "três" e sabem que têm de estar prontos para cantar. É à base desses truques", explica a responsável pelo grupo.

"Estamos a falar de crianças muito motivadas. Ao entrar na sala Suggia foi um silêncio sepulcral e eles percebem as diferenças e a responsabilidade que têm em pertencer a este coro, ainda para mais com uma estreia tão importante e tão difícil como é esta obra", acrescentou à Lusa, um dia depois do ensaio.

Baldur Brönnimann recorda que o papel que vão interpretar, na peça do pacifista Britten, é o da procura por um mundo melhor: "São eles as vozes inocentes, as vozes que cantam acerca do Paraíso. É simbólico".

"Se alguns destes miúdos se interessarem a sério por música e cultura, então cumprimos o nosso papel. Não é só pedagogia musical, é performance. Como todos os profissionais", afirmou o maestro suíço.

"War Requiem", de Benjamin Britten, foi composto em 1962 pelo britânico que veio a morrer em 1976 e trata-se do "mais comovente manifesto pacifista da música ocidental", segundo a folha de sala do concerto de domingo.

As diferentes secções do texto litúrgico, da chamada "Missa dos Mortos", são intercaladas com poemas do britânico Wilfred Owen, escritos durante a Grande Guerra de 1914-18.

Como lembra o texto da Casa da Música, "Britten transpôs a metáfora da reconciliação entre os povos inimigos ao escrever o seu Requiem para as vozes de uma soprano russa, um tenor inglês e um barítono alemão -- Galina Vishnevskaya, Peter Pears e Dietrich Fischer-Dieskau", menos de duas décadas após o termo da II Guerra Mundial, papéis que serão interpretados na Casa da Música por Anna Shafajinskaia, Barry Banks e Johannes Kammler, "perpetuando a ideia original do compositor".

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