Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Costinha: o franzino que assinava à Maradona

Logótipo de O Jogo O Jogo 18/05/2017 Hugo M. Monteiro

O médio recordou os tempos de família pobre, da vida em Chelas e dos testes "falsificados" só para poder jogar futebol

Costinha, em longa entrevista ao Porto Canal, vistoriou todas as etapas de uma vida quem nem sempre foi fácil. Desde contar os trocos até ao braço com o Príncipe do Mónaco, uma vida pela de histórias e aventuras do Ministro que brilhou com a camisola 6 do FC Porto.

"A relação com a bola começou muito cedo. Venho de uma família pobre, a bola era o que tinha e às vezes, para não jogar sozinho, obrigava as minhas irmãs a jogar comigo. Foi sempre algo que quis fazer apesar de algumas opiniões contrárias, quer familiares quer escolares, mas eu sempre disse que queria ser jogador de futebol. E felizmente consegui fazer uma carreira bonita. Vivia numa casa pequena, o meu pai era taxista e a minha mãe governanta numa quinta, e muitas vezes era eu quem me ocupava das minhas irmãs. Não tinha amigos nas redondezas, a não ser os filhos dos patrões quando lá estavam. Mas desde que tivesse uma bola era sempre uma criança feliz..."

O Maradona dos teste

"Até as freiras tentavam desanimar-me e logo eu que assinava os pontos com a assinatura do Diego Maradona. É o meu ídolo, a minha referência. O lado pessoal é o dele, mas como jogador ele deixava-me de boca aberta. E eu assinava sempre Diego Maradona, até que me começaram a tirar pontos nos testes e eu parei com a brincadeira. Ou seja, o futebol sempre foi a minha paixão nº 1 e não havia maneira de enveredar por outro rumo que não o do futebol."

Chelas, gabirus e as freiras

"Eu estudava num colégio de freiras e tínhamos de andar de calções e meias até ao joelho. Portanto, eu saio de um colégio particular, que era a minha madrinha que suportava, pois os meus pais não tinham condições, até que passo para Chelas onde era só gabirus e no primeiro dia que chego à escola ficaram todos a olhar para mim porque a minha mãe vestiu-me como se eu fosse para o colégio de freiras. E como havia muita gente que ia vestida para a escola e voltava nu, porque roubavam tudo, não era o meu caso porque eu não ia de ténis Adidas. Então enturmei-me através do futebol e alguns tornaram-se meus grandes amigos e que me protegiam porque eu era o abono de família da equipa deles. Tinha jeito para a bola... e jogava em qualquer posição.

© Fornecido por O jogo

Oriental, o dominutivo e as notas falsas

"O meu pai não queria que eu jogasse futebol. Mas eu não gostava mesmo de matemática e o meu pai fez uma aposta comigo: se tiveres positiva podes ir treinar onde quiseres. E eu estudei, apliquei-me e tive... 30 por cento. Fiquei triste. E o que fiz eu? Emendei o 3 para o 8 e nas respostas erradas pus certo... O meu pai só soube da verdade quando eu estava no Mónaco [risos]. Ou seja, ele deixou-me ir treinar ao Oriental e quando lá cheguei a equipa estava quase feita e havia uns 20 ou 30 miúdos à experiência. O treinador perguntou quem era lateral esquerdo e ninguém se acusou. E eu levantei o braço. Pensei que podia começar pela esquerda e chegar à posição que queria. Então comecei ali mas a partir do segundo ano de iniciado as coisas começaram a correr sempre muito bem e era sempre promovido até chegar a ser capitão da equipa... O treinador achava que eu era muito pequenino e magrinho e batizou-me de Costinha."

Sporting, Chelas e tareia

"Fui à experiência, era o meu clube e do meu pai, mas não gostei do que vi e fui embora. Se no Oriental eram 20 ou 30 à experiência, no Sporting era uns 100 ou 200. Não dava para mostrar muito, mas eles chamaram-me e também outros que não tinham passado no teste, mas como os pais se exaltaram, também foram no dia seguinte...E o meu pai não tem poder nenhum para influenciar o quer que fosse. Pensei, não, não quero isto e voltei para o Oriental e por lá fiquei. O facto desde os iniciados até aos seniores andar sempre um escalão acima, levava-me a pensar que as pessoas viam algo em mim. Era também o capitão da equipa. O Barão, meu primeiro treinador, levou-me aos seniores quanto tinha 16 anos e comecei a perceber que podia ser jogador. Era um clube da II B, com massa adepta, boa estrutura, bons jogadores - O João Manuel Pinto, que também chegou ao FC Porto, também estava lá. Tive sorte de no Oriental ter apanhado pessoas certas porque não é fácil crescer em Chelas...E enquanto estava no futebol não estava com os meus amigos malandros e era muito fácil enveredar por outro caminho porque tínhamos acesso a tudo e era mais fácil arranjar esquemas do que ir treinar no duro. Ainda por cima não podia desiludir os meus pais porque eu forcei sempre o futebol. Os meus tios foram muito importantes porque eu perdi um ano e o meu pai quis tirar-me do futebol, mas os meus tios fizeram vê-lo que era melhor continuar no futebol do que ficar na porta dos prédios a fazer asneira. Levei uma tareia mas continuei no futebol e com a vergonha de a minha irmã me ter apanhado na escola e até na minha turma. Nunca mais perdi um ano."

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon